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07/03/2016

Jovem de 15 anos amputa própria mão para se “desculpar” por insulto a Maomé e vira “herói” no Paquistão


Um adolescente amputou por iniciativa própria uma de suas mãos após ter sido acusado publicamente de blasfêmia no Paquistão.

 

O incidente aconteceu quando Qaiser (nome fictício), um jovem de 15 anos, entendeu errado uma pergunta durante uma celebração a Maomé realizada em uma mesquita na Província de Punjab, no leste do país.

 

Durante a oração em homenagem ao nascimento do profeta, o clérigo perguntou aos presentes: "Quem entre vocês crê em Maomé?". Todos levantaram as mãos. Em seguida, ele questionou: "Quem entre vocês não acredita nos ensinamentos do santo profeta? Levantem suas mãos!".

 

Qaiser entendeu errado a pergunta e, sem querer, levantou a mão.


O incidente expõe a dificuldade de abordar o assunto ou debater qualquer tema religioso no Paquistão, um país onde 97% dos 200 milhões de habitantes são muçulmanos

 

Havia cerca de cem pessoas na mesquita, e o clérigo imediatamente acusou o garoto de blasfêmia. Qaiser voltou para casa e quis provar seu amor pelo profeta – amputando sua própria mão com um cortador de grama. Depois, ele colocou-a em um prato e apresentou ao clérigo.

 

"Quando eu levantei minha mão direita sem querer, eu percebi que havia cometido uma blasfêmia e precisava compensar tamanha afronta", disse ele à BBC.

 

Após a atitude do garoto, toda a aldeia entrou em êxtase e pessoas de outros povoados vizinhos estão chegando para prestar homenagens a Qaiser.

 

O clérigo, no entanto, foi preso, enquadrado na lei antiterrorismo do Paquistão – acusado de ter instigado o extremismo e o fanatismo religioso.

 

Debate – A "punição" que Qaiser deu a si mesmo tomou proporções inimagináveis para ele, que segue convicto de ter feito a coisa certa cortando sua mão.

 

Quando perguntado se sentiu dor ao amputá-la, ele disse que não.

 

"Por que eu sentiria dor ou teria algum problema cortando uma mão que foi levantada contra o santo profeta?!"

 

O incidente expõe a dificuldade de abordar o assunto ou debater qualquer tema religioso no Paquistão, um país onde 97% dos 200 milhões de habitantes são muçulmanos.

 

A blasfêmia é um tema bastante sensível no Paquistão, uma república islâmica, onde até as acusações sem fundamento podem gerar violência e linchamentos.

 

Segundo a repórter da BBC que acompanhou o caso, Iram Abbasi, o episódio do garoto é inédito no país, já que o adolescente não se considera uma vítima, e a família dele e vizinhos comemoraram sua automutilação.

 

Lei antiblasfêmia – Embora o governo tenha tomado medidas contra o extremismo religioso, muitas pessoas seguem adotando um discurso de fanatismo e influenciando a opinião pública para esse lado.

 

A Constituição define o Paquistão como uma república islâmica e, em 1984, o então líder do país, General Zia ul-Haq, colocou no Código Penal uma "lei antiblasfêmia" que inclui castigos de prisão perpétua e pena de morte para quem insultar o islã.

 

Entre as ofensas estão "profanar o Alcorão" e "difamar o profeta Maomé".

 

Em teoria, as leis foram estabelecidas para proteger os costumes e tradições da sociedade muçulmana. Mas, na prática, elas têm servido como uma brecha legal para justificar vinganças políticas e pessoais entre muçulmanos.

 

Essas leis também costumam ser utilizadas contra as minorias religiosas do país, como os cristãos e os hindus.

 

E mesmo as acusações feitas sem prova podem instigar a violência e os linchamentos. Quando alguém é acusado de blasfêmia no Paquistão, tanto sua família como sua comunidade são vulneráveis a ataques de grupos que se sintam ofendidos por suposta ofensa religiosa.

 

Do outro lado, os críticos de vários países europeus têm pedido ao governo paquistanês que intervenha, modificando as leis e castigando os "instigadores" do discurso mais extremista – G1.

 

Portal Carlos Magno



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