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28/09/2017

Artigo de José Nivaldo Júnior: Jango de filho para pai


Considero o ex-presidente João Goulart (Jango) o mais injustiçado político da história republicana do Brasil.

Foi vice-presidente eleito de Juscelino e Jânio, depois de ter sido Ministro do Trabalho de Getúlio Vargas. Naquele tempo era assim, os vices eram votados, um bom assunto para a reforma eleitoral.

Com a renúncia de Jânio, ele assumiu o governo, vencendo forte resistência de certos setores da elite e das forças armadas.

Foi imposto a Jango um parlamentarismo provisório.



Reprovado em um plebiscito onde a devolução do pleno mandato presidencial a Jango foi aprovada pela maioria esmagadora dos eleitores. O povo brasileiro é presidencialista, comprovou isso nos anos 90.

Jango reassumiu o governo com a maior legitimação eleitoral de todos os tempos.

Tomou pé nas coisas.

Elaborou o mais completo e viável projeto para transformar o país numa sociedade próspera, menos injusta, com autonomia no cenário internacional. Um país moderno, desenvolvido e sustentável.

As reformas de base que propôs representavam a emancipação do Brasil inclusive da tutela americana. Representavam a quebra das amarras do latifúndio e uma reforma agrária que criaria uma classe média rural forte, base do desenvolvimento de todos os países que deram certo, inclusive Estados Unidos, França, quase todos os países europeus.

Aqui, o atraso mental era tamanho que acabou colando para muitos a ideia cretina de que reforma agrária era coisa de comunista, vejam só.

Estancieiro rico e de convicções sociais com respeito à liberdade, Jango foi taxado esdruxulamente de comunista pela direita hidrofóbica e, após ser deposto, considerado fraco por amplos setores das forças progressistas.

Isso porque, de perfil ameno e conciliador, embora firme, não resistiu ao golpe, poupando os brasileiros de um possível e inútil banho de sangue.

Sua deposição através de um golpe militar com o apoio das elites, da classe média minoritária, carola e barulhenta e patrocínio dos Estados Unidos, deu início aos tormentosos anos da ditadura.

É didático registrar: Jango e o Brasil foram vítimas em 64 de um golpe de verdade. Que rasgou a Constituição, depôs governantes eleitos, exilou, cassou mandatos, prendeu, torturou e matou milhares de patriotas, censurou a imprensa e a liberdade de expressão.

Nada a ver com a manobra parlamentar que cassou Dilma. Chamar o episódio Dilma de golpe, para mim, é agredir a história, desrespeitar os heróis e mártires da resistência e propor ao povo uma pauta equivocada.

O golpe contra Jango condenou o Brasil a ser um país de segundo mundo.

As consequências funestas do desmonte do seu projeto, independente e sustentável, por outro tão grandiloquente quanto servil, levou o país a isto que está aí.

Os governos militares plantaram as sementes do estatismo corrupto, do desprezo às injustiças sociais, da falta de oportunidade para os jovens.

Os governos civis que vieram em seguida, asseguraram a democracia e a liberdade, mas permaneceram reféns da pauta econômica da ditadura.

Jango, pois, é um marco na história, a ser estudado e decifrado em todas as suas dimensões.

O depoimento humano, comovente, rico do filho João Vicente contribui muito com esse processo necessário. E lança luz sobre a sua dimensão pessoal.

Porque é sempre bom lembrar, o ser humano que existe dentro de cada estadista estabelece as dimensões de sua grandeza e do papel histórico que desempenha.

Por Zé Nivaldo, Publicitário, historiador e membro da Academia Pernambucana de Letras

Portal Carlos Magno


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