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31/08/2018

Ministério Público denuncia líderes de centro religioso por abusar sexualmente de seguidores


A 30ª Promotoria de Investigação Penal do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) denunciou líderes de um centro religioso na Ilha do Governador por abusar sexualmente de seguidores em supostos rituais de iniciação tântrica, além de estelionato e exercício irregular de profissão. O caso foi mostrado com exclusividade pela GloboNews.

Os denunciados são Marcelo Antonio Marques Prazeres, Leonardo Campello Ribeiro e Jayson Garrido de Oliveira - respectivamente presidente, vice-presidente e médium ativo do Centro Espiritualista Semeadores da Luz (CESL), casa que prega o universalismo como filosofia, reunindo vertentes religiosas de Umbanda, Candomblé, Igreja Gnóstica Cristã e correntes orientais.



Segundo a denúncia, Marcelo e Leonardo são pessoas inteligentes, com profundos conhecimentos religiosos e alto poder de persuasão - eles agiriam usando a incorporação de supostas entidades, supervalorizando rituais de iniciação, pregando posturas celibatárias e de renúncia material para conquistar a confiança dos frequentadores do centro religioso.

Ainda segundo o MP, na condição de líder espiritual, Marcelo conduzia as práticas de iniciação religiosa, além dos rituais tântricos nos quais praticava atos libidinosos. A denúncia afirma que foram mais de 100 abusos praticados por ele no período de 2009 a 2016, sempre de modo parecido: as vítimas, em consulta com entidades incorporadas por Marcelo, eram informadas que estavam prontas para serem iniciadas pela autoridade de cada iniciação ritualista - o próprio Marcelo.

"Na última sessão, pediu que sentasse no colo dele, o abraçasse com minhas pernas e meus braços e eu devia entoar um mantra e respirar, assoprar um ar, dentro da boca dele. E ele fazendo a mesma coisa com contato labial. No final da sessão, tamanha era a minha confiança nele, que eu realmente não entendi que estava sendo assediada sexualmente", disse uma das vítimas.

Durante essas supostas práticas religiosas, as vítimas - tanto homens quanto mulheres - eram violadas sexualmente, com toques, masturbação e penetração. Segundo a denúncia, as vítimas não desconfiavam porque admiravam e acreditavam que Marcelo era um mentor espiritual.

Ainda segundo a denúncia, Leonardo sabia dos abusos sexuais e não os impediu, incentivando as vítimas a obedecerem a vontade de Marcelo. Ele também foi denunciado por praticar atos sexuais dificultando a livre vontade da vítima, uma vez que se utilizou de discurso semelhante: o de que uma entidade determinava as relações sexuais.

Leonardo também é denunciado por fingir ser psicólogo e exercer irregularmente a profissão ao menos 67 vezes com vítimas diferentes, cobrando pelas sessões realizadas em um consultório dentro do CESL.

De acordo com o MP, o terceiro denunciado, Jayson, como médium antigo do CESL, praticou ato libidinoso com duas vítimas - uma delas de 15 anos de idade. Ele convencia as vítimas a praticar de maneira sigilosa a chamada 'magia vermelha' que resolveria os problemas emocionais e materiais delas.

Durante esses rituais, teria beijado a boca e passado a mão nas partes íntimas da menor de idade, além de masturbar uma segunda vítima.

Por trás das consultas havia um viés perverso, uma vez que, segundo a denúncia, Marcelo se aproveitou das informações privadas compartilhadas pelas vítimas nas sessões de psicologia para utilizá-las durante conversas e supostas incorporações de entidades. Ele usava os detalhes íntimos das vítimas para deixá-las impressionadas.

Os três foram denunciados no artigo 215 (violação sexual mediante fraude) - com pena prevista de reclusão de 2 a 6 anos - e 171 (estelionato), cuja pena varia de 1 a 5 anos, ambos do Código Penal. Os três denunciados já prestaram depoimento à polícia e negaram os abusos sexuais - G1.

Portal Carlos Magno


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