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19/09/2018

Especial: Ator que interpretou o palhaço Bozo nos anos 80 conta que chegou a usar 40 pedras de crack por dia


A história do ator Arlindo Barreto, que interpretava o palhaço Bozo nos anos 80, ficou conhecida pelo grande público graças ao filme Bingo - O Rei das Manhãs. O que muita gente não conhece é a história de outro intérprete do palhaço, que seguiu à risca os passos de seu antecessor.

Assim como Barreto, o ator Marcos Góes (ou Pajé, como era conhecido) perdeu a conta de quantas vezes se apresentou na TV sob efeito de álcool e drogas, quase perdeu tudo o que tinha por conta do vício e se converteu à igreja evangélica.

Ele trocou o Pajé por Fiel após a conversão e hoje ganha a vida com direitos autorais e palestras em que fala sobre como superou o vício. O G1 acompanhou um desses encontros que reuniu 150 pessoas no Centro de Apoio ao Dependente Químico (CADQ) em Sorocaba (SP), na semana passada.



O ator conta que, em sua pior fase, chegou a usar 40 pedras de crack por dia, além de cocaína e outras drogas. O gasto com os entorpecentes chegou a superar R$ 7 mil por mês. "Me arrependo. Se pudesse, queria voltar no tempo. Tudo o que passei me deu uma experiência de vida. Acredito que sou mais feliz hoje do que quando interpretava o Bozo", diz.

Marcos, que fez questão de dar entrevista com o nariz de palhaço, lembra que chegou a perder casa, carro, imóveis e até pegar dinheiro emprestado para comprar drogas.



Vício fora e dentro das telas

O ator foi apresentado à direção do programa pelo próprio Barreto, que estava de saída após encarnar o personagem de 1982 até 1986. "Foi ele quem me levou para fazer os testes. Como estavam procurando atores com uma 'pegada' mais circense, gostaram de mim."

Ele diz que já usava drogas bem antes de ser um dos "Bozos" na TV, entre 86 e 89 - o palhaço teve 15 intérpretes brasileiros. "Aos 14 anos comecei a usar maconha. Com 16 passei a beber. Depois, foi só piorando..."

Marcos conta que usava drogas até segundos antes de entrar no palco, onde interagia com diversas crianças que davam uma "bitoca no nariz do Bozo". "Preferia apresentar o programa drogado porque ficava mais animado. Quando a maconha e o whisky não faziam mais efeitos, fui para a cocaína."



O agravamento do vício o levou a morar na favela do Coruja, Zona Norte de São Paulo, onde se envolveu com prostituição e passou a usar drogas mais pesadas. Na pior fase da vida, chegou a pesar 55 quilos, ficar cinco dias acordado por conta dos efeitos das drogas e foi até ameaçado de morte por traficantes. "Era constantemente alvo de zombações. Falavam que eu estava um caco, que estava horrível."

Ele lembra que não tinha coragem de se matar e, por isso, pedia para Deus tirar sua vida. "Até que um dia Deus fez um milagre e me deu a luz de ligar para minha irmã. A partir daí, minha vida mudou. Ela e minha mãe salvaram minha vida", conta - G1.

Portal Carlos Magno


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