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06/07/2019

Jovem de 19 anos que teve o rosto queimado pelo marido com soda cáustica já o havia denunciado três vezes à polícia


A jovem de 19 anos que teve o rosto queimado por soda cáustica, no Recife, registrou três boletins de ocorrência contra o ex-companheiro, principal suspeito de provocar os ferimentos, segundo a Polícia Civil. Na noite desta sexta-feira (5), a delegada Bruna Falcão informou que, em 19 dias, Mayara Estefanny Araújo foi à polícia em três ocasiões para denunciar William César dos Santos Júnior, que está sendo procurado. (Veja vídeo acima)

 

O crime ocorreu na noite de quinta-feira (4), no Alto do Progresso, na Zona Norte do Recife. Horas depois, a polícia deteve dois suspeitos de participar da agressão que deixou Mayara em estado gravíssimo. Ela está internada no Hospital da Restauração (HR), no Centro do Recife.



 

Na noite desta sexta, a polícia informou que Paulo Henrique Vieira dos Santos teve a prisão confirmada. Segundo testemunhas, ele segurou a vítima para que o ex-companheiro da jovem jogasse o produto químico. Outro homem detido foi liberado por não ter relação com o crime.

 

Paulo Henrique foi autuado em flagrante por lesão corporal grave e resistência. Segundo a polícia, ele tem passagem pelo sistema criminal e já chegou a ser monitorado com tornozeleira eletrônica.

 

Ainda de acordo com a polícia, ele vai passar a noite na Delegacia da Mulher, em Santo Amaro. Na manhã de sábado (6), segue para a audiência de custódia. A polícia pede ajuda para encontrar William. Quem tiver informações deve ligar para o Disque-Denúncia, pelo telefone (81) 3421.9595 ou (81) 3719.4545, este último disponível para o Agreste e interior.

 

Denúncias

 

A delegada informou que o primeiro boletim de ocorrência contra o ex-companheiro foi registrado por Mayara no dia 13 de maio. O segundo, em 23 do mesmo mês e o terceiro, no dia 1º de junho. Desde o primeiro registro, a Polícia Civil conseguiu na Justiça a concessão de medidas protetivas contra William.

 

A polícia justifica que elas só passaram a vigorar no dia 5 de junho porque o agressor não era encontrado para intimação. William tem passagem pela polícia pelo crime de estelionato.

 

Segundo Bruna Falcão, a família disse que William se escondia, justamente para não ser intimado. No dia 5 de junho, ele foi finalmente informado de que não poderia mais se aproximar de Mayara, nem ligar para o telefone dela ou frequentar sua casa.

 

"Depois disso, a primeira agressão que ocorreu foi a da quinta-feira. Isso não deve ser um desestímulo para as mulheres vítimas de violência, porque esse foi um ponto fora da curva”, diz a delegada Bruna Falcão.

 

A delegada disse ainda que a polícia chegou ao suspeito de ajudar na agressão a partir da prisão do outro homem, o que foi liberado. Bruna Falcão afirmou que ele apontou que Paulo Henrique tinha relação com o caso.

 

"Ele veio espontaneamente e disse que não havia sido ele, mas apontou que Paulo teria ajudado na agressão. Levantamos informações e verificamos que o fato era verdadeiro. Foi aí que prendemos o segundo suspeito", disse.

 

A delegada observou que Paulo negou o crime. "Ele disse que tinha acompanhado William naquela noite, que os dois teriam ido fumar maconha num terreno baldio e que, na sequência, William teria ido lá jogar o produto e ele, Paulo, saiu correndo, assustado. Mas testemunhas dizem que foi ele quem segurou Mayara”, declarou a policial.

 

A delegada disse ainda que familiares informaram que William pretende se entregar à polícia. "Disseram que ele foi orientado juridicamente a se apresentar na segunda-feira [8 de julho], para livrar o flagrante", disse Bruna.

 

Motivação

 

Nesta sexta-feira (5), a Polícia Civil ouviu a família de Mayara, dos suspeitos detidos e da mãe de William, que, segundo a delegada, se apresentou à delegacia espontaneamente.

 

Segundo a delegada, Paulo Henrique informou à polícia que Willian teria cometido o crime porque Mayara estaria impedindo o acesso do ex-companheiro ao filho deles, de 2 anos. A informação foi negada pelas testemunhas.

 

“A família informou que ela não restringia o acesso à criança. A mãe dele esteve aqui e se emocionou muito durante a oitiva. Mesmo dolorida, ela pediu que se faça justiça sobre esse caso”, afirma a delegada.

 

Revolta

 

Na localidade onde Mayara mora e foi agredida, o sentimento de indignação é compartilhado por parentes e vizinhos.

 

Uma vizinha da vítima que preferiu não se identificar afirmou ter visto o momento em que Mayara teve o rosto atingido por soda cáustica e que sabia que a vítima vivia um relacionamento abusivo.

 

A irmã da vítima, uma adolescente de 17 anos, contou que Mayara tinha um relacionamento difícil com William. Segundo a jovem, o homem teria dito que, se a irmã dela não morresse agora, ele a mataria de todo jeito, porque não aceitava a separação.

 

A agressão

 

O caso ocorreu na saída da casa onde Mayara mora com o filho de 2 anos, no Alto do Progresso, Zona Norte do Recife. Ela, que trabalha como atendente em uma rede de lanchonete, foi levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Nova Descoberta antes de ser transferida para o Hospital da Restauração. (Veja vídeo acima)

 

Segundo o HR, a jovem teve 35% do corpo queimado e, mesmo em estado gravíssimo, está estável e respira com a ajuda de aparelhos. De acordo com a irmã da vítima, o hospital informou à família que Mayara tem 90% de chance de perder a visão dos dois olhos. A assessoria da unidade diz que há possibilidade de cegueira devido ao contato com a soda cáustica.

 

Violência doméstica

 

De acordo com a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, os crimes de feminicídio, cometidos exclusivamente por questões de gênero, apresentaram uma queda de 11,5% de janeiro a maio de 2019, quando houve 23 ocorrências, em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 26 casos.

 

Os números de violência contra a mulher, no entanto, apresentam aumento. Isso, segundo a SDS, reflete a alta na procura de atendimento das vítimas das agressões. Entre janeiro e maio de 2019, foram registradas 17.710 queixas de violência doméstica, 8% a mais do que as notificações no mesmo período de 2018 – G1.

 

Carlos Magno

 

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