....
....

15/05/2022

Bolsonaro brinca com inteligência do brasileiro ao trocar comando da Petrobras ou ministério a cada aumento de combustíveis


O presidente Jair Bolsonaro, a cada reajuste nos preços dos combustíveis anunciado pela Petrobras, volta as suas baterias contra a estatal e diz que não irá mais tolerar tamanho desrespeito com os brasileiros. Chegou até a trocar o comando da empresa ou do Ministério das Minas e Energia, o que significa apenas um “jogo de cena”, para tentar transmitir à população a imagem de um presidente realmente preocupado com a situação.

 

Entretanto, o que Bolsonaro nunca fala é que a União é o acionista majoritário da Petrobras e que, por este motivo, tem mais moral do que qualquer outro investidor para, pelo menos, iniciar um processo de discussão sobre a atual política de preços da companhia. Política esta que, pelo que se vê, massacra o brasileiro e beneficia um pequeno grupo de acionistas que lucram maravilhas com os reajustes, inclusive o acionista principal que, como dissemos, é o próprio governo.



Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

 

Especialistas insistem em afirmar que os constantes reajustes nos preços dos combustíveis no Brasil não estão atrelados, por exemplo, à questão do ICMS dos estados, como o presidente tentou passar para a opinião pública quando os reajustes começaram a sufocar o brasileiro. É sabido que as alíquotas são altas, mas sempre foram e nem por isso existiam os reajustes como estão ocorrendo hoje. É a coisa mais lógica do mundo: reajuste não depende de alíquota de imposto algum.

 

Como a desculpa não decolou, o presidente mudou a estratégia e passou a acusar os governos do PT pelos reajustes, o que também não prosperou, visto que, nos anos de Lula e Dilma, os reajustes nunca ocorreram nos índices e na frequência que ocorrem atualmente. Após essa segunda tentativa de transferir responsabilidade, Bolsonaro muda de estratégia pela terceira vez e, agora, acusa diretamente a própria Petrobras, sem, no entanto, dizer que ele próprio representa a estatal. Ou seja: novo jogo de cena.

 

A verdade é que o governo não está nem um pouco preocupado em alterar a política de preços dos combustíveis. Essa, sim, a principal razão dos constantes e elevados reajustes, considerando que o mercado internacional sofre consequências diversas, a exemplo dos conflitos nos países produtores de petróleo e até mesmo da guerra da Ucrânia, para citar uma razão mais recente.

 

Simples assim: atrelar os preços dos combustíveis à loucura que se vive mundo afora, com a qual não temos nada a ver, só traz prejuízos. Aliás... só traz prejuízos para nós, consumidores, porque para um certo pequeno e seleto grupo, do qual faz parte, principalmente, o próprio governo, traz tudo de bom.

 

Desatrelar a política de reajustes dos combustíveis que são produzidos no Brasil do mercado internacional levaria o próprio Brasil e ter autonomia na definição dos preços. Porém, reduziria sobremaneira os lucros auferidos aos acionistas que, repito, tem no governo federal o acionista majoritário. Perguntar não ofende: nosso presidente terá coragem de mexer nesse vespeiro?

 

Carlos Magno