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08/01/2019

Filho de Mourão vira assessor especial no Banco do Brasil e triplica salário. Pai diz que nomeação “não tem nada de anormal”


Enquanto o vice-presidente da República, o general Hamilton Mourão (PRTB), prestigiava as cerimônias de posse e transmissão de cargo do presidente do Banco do Brasil, o seu filho recebia uma considerável promoção na mesma instituição. Antônio Hamilton Rossell Mourão, que é servidor de carreira do banco, tornou-se um dos três assessores especiais da Presidência, com vencimento mensal de quase 37.000 reais. O valor é três vezes maior do que o recebido como assessor da Diretoria de Agronegócios, função que ocupou por 11 anos.

 

Desde a campanha eleitoral o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), diz que não aceitará acomodações políticas em seu Governo. Em discurso nesta segunda-feira, por exemplo, disse que todos os ministros e dirigentes de bancos públicos tiveram total liberdade para escolherem os seus diretores e assessores diretos.



 

Procurado, o vice-presidente negou qualquer interferência dele na nomeação de seu filho. E informou, por meio de sua assessoria, que “não há nada de anormal” nela porque o filho é especializado na área agrícola e é um funcionário de carreira do banco. “Ele tem 19 anos de excelentes serviços prestados ao Banco do Brasil”. Rossell Mourão é formado em administração de empresas e possui pós-graduações em agronegócios e em desenvolvimento sustentável.

 

Em nota, o Banco do Brasil informou que a nomeação do servidor “atende aos critérios previstos em normas internas e no estatuto” da instituição. Ainda assim, entre servidores gerou certo mal-estar porque é comum que diretores ou profissionais com mais tempo de casa se tornem assessores especiais da Presidência. É uma espécie de cargo executivo na instituição financeira. Geralmente, especialistas em comunicação, agronegócios e direito são escolhidos pela presidência do banco para essa assessoria especial.

 

Rubem Novaes, o novo presidente do banco, que tomou posse na última segunda-feira diante de Mourão, disse, também em nota, que confia no filho do vice-presidente. “Antônio é de minha absoluta confiança e foi escolhido para minha assessoria, e nela continuará, em função de sua competência. O que é de se estranhar é que não tenha, no passado, alcançado postos mais destacados no Banco”.

 

Novaes foi um dos primeiros economistas a se juntar a equipe do presidente Jair Bolsonaro, ainda durante a campanha eleitoral. Ele foi colega do ministro da Economia, Paulo Guedes, na Universidade de Chicago. Na sua cerimônia de posse, disse que pretende privatizar parte dos ativos do Banco do Brasil, menos as “joias da coroa”. Não citou, contudo, quais seriam essas joias. Desde 2003 ele é o primeiro a ocupar a presidência do BB sem nunca ter sido servidor nessa casa – El País.

 

Carlos Magno

 

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