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01/05/2019

Mãe reencontra filho que deu para adoção em 1994 e hoje mora na Suíça com os pais adotivos: “pedi muitas desculpas a ele”


O incêndio e a queda do Edifício Wilton Paes de Almeida, ocorrido há exatamente um ano, em 1º de maio de 2018, deixou sete moradores mortos, dois desaparecidos e famílias sem ter onde morar no Centro de São Paulo. Mas o acidente serviu também para unir uma sobrevivente e um filho biológico que ela deu para adoção em 1994. O menino foi adotado por um casal da Suíça e mora no país europeu.

 

Uma foto de Ana Paula chamou a atenção do jovem que decidiu procurar a mãe biológica entre os sobreviventes da tragédia. Esse reencontro entre mãe e filho aconteceu no dia 4 de fevereiro deste ano e foi revelado em 27 de março pelo jornal Folha de São Paulo.



 

"Foi muito difícil para mim. Foi muito emocionante porque aquilo ali doeu muito. Eu pedi muitas desculpas para ele. Mas eu fiz aquilo [sobre dar o filho à adoção] para o bem dele", lembra Ana Paula.

 

Em 1994, a ambulante Ana Paula Archangelo dos Santos havia dado à luz a Vitor Leonardo Archangelo dos Santos. Mãe de outras duas crianças à época e sem condições financeiras de criar o terceiro filho, ela o deu à doação.

 

“Não deixei porque eu quis. Eu precisava”, diz Ana Paula, atualmente com 48 anos, em entrevista nesta semana ao G1.

 

Casal suíço

 

O casal suíço Yvonne e Franz Imwinkelried levou a criança do Brasil à Europa. Ele tinha apenas três semanas de vida. Lá, em Fiesch, nos alpes suíços, Vitor ganhou novos nome e sobrenome: Kilian Imwinkelried.

 

“Esse garoto ganhou na ‘loteria’ a chance de ter uma vida digna”, disse ao G1 o juiz aposentado Antonio Augusto Guimarães de Sousa a respeito da ida do filho de Ana Paula à Suíça. O então magistrado foi responsável pelo processo internacional de adoção do bebê à época.

 

Desde então Ana Paula não teve mais contato com o filho. Não sabia quem o adotou e nem para onde ele foi. Para não sofrer também não o procurou.

 

“Nem sabia se estava vivo porque dei ele no hospital há muitos anos, dizendo à assistente social que eu não podia criá-lo”, afirma a ambulante sobre o filho prematuro que teve, após oito meses de gestação.

 

Em busca da mãe biológica

 

Mas no ano passado Kilian quis conhecer a mãe biológica. Antes ele não deseja isso. Mas depois mudou de ideia.

 

Uma foto de Ana Paula, feita pela fotógrafa Marlene Bergamo e publicada em 22 de novembro na Folha, mostrava sobreviventes do prédio que caiu num acampamento improvisado no Largo do Paissandu.

 

Essa imagem chamou a atenção de Kilian pela semelhança física entre eles. Além disso, o sobrenome Archangelo dos Santos que aparecia na legenda era o mesmo que ele tinha nos documentos de seu registro brasileiro. O nome do pai biológico não é mencionado nos papéis.

 

Kilian então entrou em contato com a jornalista e pediu para ela ajuda-lo a localizar a mãe. Ana Paula foi encontrada e ele veio ao Brasil.

 

Reencontro

 

“Agradeço à Marlene sempre por ajudar e encontrar minha mãe biológica”, se emociona Kilian em conversa com o G1. Ele conversou com a reportagem em inglês, já que não fala português.

 

"A assistente social deu um jeito, deu ele para uma família boa, uma família que podia criar ele", comenta a ambulante sobre os pais adotivos do filho, Yvonne e Franz.

 

Mãe faz bicos

 

O casal suíço aparece numa selfie tirada por Kilian juntamente com Ana Paula no Largo Paissandu e enviada por ele à reportagem (veja a foto acima, no início desta matéria).

 

"Foi muito emocionante, intenso e inacreditável acreditar no que está acontecendo", comemora Kilian sobre rever a mãe brasileira juntamente com seus pais país suíços.

 

"E agora ele veio atrás de mim. E eu tratei ele como se fosse meu filho porque ele é meu filho", se alegra Ana Paula.

 

Kilian também conheceu os irmãos brasileiros. Ao todo, Ana teve oito filhos, mas um deles morreu assassinado no dia 10 de maio de 2017 na frente do prédio que desabou. Ele era o mais velho, tinha 29 anos. O mais novo tem 3 anos. Atualmente são cinco garotos e duas meninas, todos frutos de relacionamentos que ela teve.

 

"Deus é tão maravilhoso que me tirou um filho e me deu outro", se emociona Ana Paula, que faz bicos vendendo café da manhã com o marido atual. "Já apanhei de polícia na rua. Levei borrachada e levaram minhas garrafas de café. Jogaram meus bolos no chão."

 

Kilian ajuda mãe com aluguel

 

Kilian trabalha numa seguradora na Suíça e estuda economia. Seu prazer é cantar. Do país europeu ele envia dinheiro para Ana Paula conseguir pagar o aluguel da casa onde mora com o companheiro e alguns dos filhos.

 

"Todo mês ele manda dinheiro para mim. Para eu pagar meu aluguel. Ele foi uma bênção na minha vida porque eu estou há mais de 5 anos desempregada", agradece Ana Paula, que perdeu seus bens e o apartamento onde morava no prédio após o fogo destruir tudo há exatamente um ano.

 

O grande sonho dela, porém, é conseguir um emprego com carteira de trabalho registrada. “Eu quero emprego para eu ter meu dinheiro digno”.

 

Kilian, que voltou para a Suíça após o reencontro, espera que ela consiga isso quando ele retornar ao Brasil em dezembro. “É claro que eu a perdoo", diz ele a respeito de Ana Paula tê-lo dado a adoção – G1.

 

Carlos Magno

 

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