
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta
quinta-feira (18), que vai vetar o chamado PL da Dosimetria. O texto prevê a
redução de penas de condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de
2023 e pela tentativa de golpe de Estado.
“As pessoas que cometeram crime contra a democracia
brasileira terão que pagar pelos atos cometidos contra esse país. Nem terminou
o julgamento, ainda tem gente sendo condenada, e o pessoal já resolve diminuir
as penas. Eu quero dizer para vocês que, com todo o respeito que eu tenho ao Congresso
Nacional, a hora que chegar na minha mesa, eu vetarei. Isso não é segredo para
ninguém”, afirmou Lula.
“O Congresso tem o direito de fazer as coisas, eu tenho o
meu direito de vetar, depois eles têm o direito de derrubar o meu veto ou não.
É assim que é o jogo”, acrescentou, em entrevista à imprensa no Palácio do
Planalto.
O presidente argumentou ainda que é preciso “terminar esse
processo” e investigar também os financiadores dos atos golpistas.
“Nós precisamos levar muito a sério o que aconteceu no dia 8
de janeiro de 2023 e tem gente que quer que a gente esqueça, mas a gente não
pode esquecer. Porque se a democracia esquecer da importância que ela tem para
uma nação, a gente termina perdendo o jogo”, afirmou.
Nesta quarta-feira (17), em votação nominal, o Senado
aprovou o PL da Dosimetria com 48 votos favoráveis e 25 contrários. O projeto
agora segue para a sanção presidencial.
Na quarta-feira (17), os senadores aprovaram na Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ) o parecer do senador Esperidião Amin (PP-SC), que
reduz as penas dos condenados por atos golpistas, entre eles, o ex-presidente
Jair Bolsonaro. Amin, que é favorável à anistia, defende que a redução das
penas visa “pacificar o país”. Já os opositores do projeto afirmam que ele não
representa o anseio do país e foi construído para beneficiar um grupo político
que atentou contra a democracia.
O PL da Dosimetria determina que os crimes de tentativa
contra o Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado, quando praticados
no mesmo contexto, implica no uso da pena mais grave em vez da soma de ambas as
penas.
O foco do projeto é uma mudança no cálculo das penas,
“calibrando a pena mínima e a pena máxima de cada tipo penal, bem como a forma
geral de cálculo das penas, reduzindo também o tempo para progressão do regime
de prisão fechado para semiaberto ou aberto”.
As mudanças poderão beneficiar réus como o ex-presidente
Jair Bolsonaro, além dos militares Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; Walter Braga Netto, ex-ministro
da Casa Civil; e Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança
Institucional (GSI).
Nesta quinta-feira, quatro bancadas do PT, PSB, PCdoB e PSOL
da Câmara dos Deputados impetraram mandado de segurança junto ao Supremo
Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão da tramitação do projeto.
Na manhã desta quinta-feira, Lula recebeu jornalistas para
um café da manhã, no Palácio do Planalto, seguido de coletiva de imprensa. Ele
está acompanhado dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad; da Casa Civil, Rui
Costa; das Relações Exteriores, Mauro Vieira; e do Meio Ambiente e Mudança do
Clima, Marina Silva.
Andréia Verdélio/Pedro Rafael Vilela/Fernando Fraga –
Agência Brasil