
Foto: Isac Nóbrega/PR
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta
terça-feira (6) que o governo interino da Venezuela concordou em entregar entre
30 e 50 milhões de barris de petróleo “de alta qualidade” ao país. O anúncio
foi feito em uma rede social.
A declaração ocorre três dias depois de uma ação militar
americana na Venezuela que resultou no sequestro do ditador Nicolás Maduro. Ao
menos 55 militares venezuelanos e cubanos morreram na operação.
Trump disse que o petróleo venezuelano será vendido a preço
de mercado. Ele afirmou ainda que será responsável por controlar o dinheiro
obtido para garantir que os recursos sejam usados “em benefício do povo da
Venezuela e dos Estados Unidos”.
“O petróleo será transportado por navios de armazenamento e
levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, afirmou.
O total de petróleo que será entregue aos EUA corresponde a
cerca de dois meses da produção atual venezuelana.
Mais cedo, a agência Reuters revelou que autoridades da
Venezuela e dos Estados Unidos estão discutindo a exportação de petróleo bruto
venezuelano para os americanos.
Segundo fontes ouvidas pela agência, um acordo para vender o
petróleo parado da Venezuela às refinarias dos EUA redirecionaria embarques que
antes seguiriam para a China.
Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de
petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los,
devido a um bloqueio imposto por Trump. O embargo fez parte da pressão
americana que resultou na queda de Maduro.
Interesse dos EUA
No sábado, logo após a prisão de Maduro, Trump afirmou que
pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela para a atuação de grandes
companhias dos EUA.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as
maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a
infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro
para o país”, declarou.
As refinarias americanas na Costa do Golfo conseguem
processar os tipos pesados de petróleo da Venezuela. Antes das primeiras
sanções impostas por Washington, as companhias importavam cerca de 500 mil
barris por dia.
Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a
Venezuela produz pouco atualmente — cerca de 1 milhão de barris por dia —
devido às sanções e a problemas de infraestrutura.
Segundo Arne Lohmann Rasmussen, analista da consultoria
Global Risk Management, aumentar essa produção, como pretende Trump, não será
um processo rápido, pois exige investimentos elevados e pode levar anos.
A dimensão do mercado de petróleo da Venezuela
A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo
do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo a
Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas
energéticas dos Estados Unidos.
Esse volume coloca o país à frente de grandes produtores
como a Arábia Saudita (267 bilhões de barris) e o Irã (209 bilhões). Boa parte
do petróleo venezuelano, porém, é extrapesado, o que exige tecnologia e
investimentos elevados para a extração.
Na prática, o potencial é enorme, mas segue subaproveitado
devido à infraestrutura precária e às sanções internacionais, que restringem
operações e acesso a capital.
Segundo a Statistical Review of World Energy, publicação
anual do Instituto de Energia (EI), a produção de petróleo da Venezuela
despencou nas últimas décadas, de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em
1970 para um mínimo de 665 mil barris por dia em 2021.
No ano passado, a produção registrou leve recuperação,
retornando a cerca de 1 milhão de barris por dia, o que representa menos de 1%
da produção global de petróleo.
g1