
Fotos: Material cedido ao Correio
Uma criança de 1 ano e 4 meses teve um carregador de celular
cravado na cabeça após cair da cama dentro de casa, em Divinópolis, no
Centro-Oeste de Minas Gerais. O objeto perfurou a região frontal do crânio,
próximo aos olhos, e atingiu o cérebro, o que levou a uma cirurgia de
emergência. Após cinco dias de internação, a criança recebeu alta hospitalar.
O caso ocorreu na terça-feira (13/1) e foi atendido no
hospital público São João de Deus. Ao Correio, o neurocirurgião Bruno Castro,
responsável pelo procedimento, contou que a criança foi encontrada pela mãe
caída no chão do quarto, chorando, com sinais de sangramento. “Os familiares
relataram que por volta das 7h a mãe ouviu o choro e encontrou a criança no
chão, com um carregador comum de celular. Um dos pinos estava cravado,
atravessando o crânio na região frontal”, explicou o médico.
A criança foi levada inicialmente para a UPA de Divinópolis
e, diante da gravidade, transferida pelo Samu para a sala vermelha do Hospital
São João de Deus. Exames de imagem confirmaram que o pino havia transfixado o
osso do crânio e atingido o cérebro. “O osso do crânio nessa idade é muito
fino, tem apenas alguns milímetros. Pela tomografia, vimos que o objeto
atravessou a calota craniana e lesionou a ponta do lobo frontal”, detalhou
Bruno Castro.
Apesar da gravidade do ferimento, a criança estava
consciente e foi levada imediatamente ao centro cirúrgico. O procedimento
ocorreu sem intercorrências. “Foi uma cirurgia rápida e tranquila. Retiramos o
corpo estranho, estancamos um pequeno sangramento e fizemos a correção da
lesão. Ela acordou bem da anestesia e foi encaminhada ao CTI pediátrico”,
afirmou o neurocirurgião.
A criança permaneceu 36 horas em observação intensiva e,
após nova tomografia sem sinais de sangramento intracraniano, seguiu para a
enfermaria. Por protocolo, recebeu antibiótico venoso durante cinco dias para
prevenir infecções.
“O maior risco em casos assim é a infecção, porque se trata
de um corpo estranho contaminado. O cérebro é um órgão totalmente estéril,
então qualquer germe pode causar meningite ou encefalite”, alertou o médico.
Segundo ele, o local atingido foi pequeno e as chances de
recuperação são altas. “A área lesionada foi mínima e crianças têm uma
plasticidade cerebral enorme. A expectativa é que ela se recupere totalmente,
sem sequelas”, disse.
O neurocirurgião aproveitou o caso para reforçar o alerta
sobre acidentes domésticos envolvendo crianças pequenas. “Crianças menores de
dois anos não têm noção de perigo. Elas rolam, se viram e uma queda de pouca
altura pode causar fraturas ou hemorragias. Nunca devem ficar desacompanhadas”,
orientou.
Correio Braziliense