
Foto: Ilustração/Pixabay
Uma mulher de 26 anos denunciou um pastor evangélico, casado
com a mãe dela, por abuso sexual contra sua filha de 3 anos, durante uma viagem
em família a Guarapari, no Espírito Santo. O caso foi registrado em Belo
Horizonte e está sob apuração da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), já que
os fatos aconteceram neste estado.
Segundo o relato da mãe da criança, a família estava
hospedada em um quarto compartilhado na cidade capixaba no dia 3 de janeiro
deste ano. No local estavam ela, a mãe, o suspeito, com seus dois filhos de 1 e
5 anos e a suposta vítima.
O homem denunciado vive com a mãe dela há mais de duas
décadas. O investigado ocupava o cargo de pastor titular em uma congregação na
capital mineira, que teve as atividades encerradas após a repercussão da
denúncia.
De acordo com a denunciante, depois de passar o dia com a
filha na praia, ela deu banho na criança e pediu a sua mãe que ficasse com a
menina enquanto saía por cerca de uma hora para ir ao supermercado. Ao
retornar, encontrou a filha chorando muito dentro do quarto. Ao entrar no
cômodo, o suspeito estava deitado e "fingia que estava dormindo".
“Ela chorava muito, chegou a vomitar de tanto chorar. Eu
entrei no quarto e tirei minha filha imediatamente dali”, relatou.
A mãe disse que perguntou a criança o que havia acontecido e
ouviu o relato do abuso. Conforme o boletim de ocorrência, a menina reclamou de
dores e disse que o suspeito colocou a mão em suas nádegas. Ainda segundo o
registro policial, a mãe gravou o relato da filha logo após o episódio,
material que foi anexado à ocorrência. Ela disse ter encontrado fezes na roupa
íntima da menina após o ocorrido.
A avó da criança, esposa do suspeito, não presenciou a
situação. Segundo a denunciante, a mãe estava em outro cômodo do imóvel e
afirmou não ter ouvido nada.
Confronto
A mulher relata que confrontou o suspeito logo após ouvir o
relato da filha. Segundo ela, o homem negou as acusações e passou a gritar com
a criança. “Na hora em que ele começou a xingar a minha filha, eu tirei ela do
quarto. Ela só tem três anos”, contou.
A denunciante afirma que a filha nunca demonstrou ter medo
do suspeito antes do episódio. “Ela sempre chamou ele de ‘vovô’, abraçava,
nunca teve reação de receio”, disse.
A mãe da criança acionou a Polícia Militar no Espírito
Santo. Segundo o boletim de ocorrência, ela foi informada de que o caso deveria
ser registrado também em Belo Horizonte, cidade de residência da família, para
o prosseguimento das medidas legais. Já em Belo Horizonte, a mulher acionou
novamente a Polícia Militar e registrou a ocorrência na Delegacia Especializada
em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depcar).
A menina foi submetida a exames periciais. De acordo com a
denunciante, a médica legista que avaliou a menor teria afirmado que o modo de
agir é característico de indivíduos com "experiência" nesse tipo de
conduta. Embora a investigação tenha sido iniciada em Minas Gerais, o delegado
responsável esclareceu que a competência para solicitar a prisão preventiva é
da justiça do Espírito Santo, local do crime.
A mulher também afirmou que sofreu violência sexual por
parte do mesmo homem desde os 5 anos de idade, período em que passou a morar
com a mãe e o então companheiro. Segundo ela, os episódios ocorreram por anos,
principalmente durante a madrugada, quando dormia no mesmo quarto que ele.
“Eu dormia num colchão no chão, ao lado da cama. Era durante
a madrugada que isso acontecia”, relatou.
De acordo com a denunciante, após passar a ter um quarto
separado, os episódios com contato físico cessaram, mas as situações de
constrangimento continuaram. “Ele ia até a porta do meu quarto e ficava se
masturbando”, afirmou.
Ainda segundo o relato, a mulher diz que contou diversas
vezes à mãe sobre o que vivenciava na infância, mas nenhuma providência foi
tomada. Após a denúncia envolvendo a filha, ela afirma que a mãe passou a
apoiar o marido e a culpá-la pela situação, o que resultou no rompimento do
contato entre elas.
Suspeitas envolvendo outra criança
A denunciante também relatou comportamentos considerados
inadequados envolvendo o irmão de 5 anos, filho do suspeito. Segundo ela, a
criança passou a apresentar sinais de sexualização precoce e foi exposta a
conteúdos impróprios no computador do pai.
Em outro episódio, ainda segundo a mulher, o menino afirmou
que o pai teria tocado em seu corpo, mas depois voltou atrás, dizendo que “foi
o diabo” que o fez falar aquilo. Para a denunciante, há indícios de que o
menino tenha sido coagido.
Investigação e paradeiro
Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que
a ocorrência foi registrada na Delegacia Especializada em Proteção à Criança e
ao Adolescente, onde foram adotadas as providências iniciais, incluindo o
pedido de medida protetiva para a criança.
Como os fatos ocorreram no Espírito Santo, o procedimento
foi encaminhado à Polícia Civil do estado. O investigado não foi localizado em
Belo Horizonte; a denunciante afirma ter informações de que ele teria fugido
para outro estado, onde tem familiares. A reportagem procurou a Polícia Civil
capixaba e até o fechamento desta matéria não teve retorno. O espaço segue em
aberto.
EM