
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O Superior Tribunal Militar (STM) recebeu nesta terça-feira
(3) pedido do Ministério Público Militar (MPM) para que o ex-presidente Jair
Bolsonaro, três generais do Exército e um almirante da Marinha sejam expulsos
das Forças Armadas em função da condenação na ação penal da trama golpista.
O MPM entrou com ações de perda do oficialato contra
Bolsonaro, que é capitão da reserva do Exército, os generais da reserva Augusto
Heleno, Paulo Sergio Nogueira, Braga Netto e o almirante Almir Garnier. Todos
foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ação penal do núcleo
crucial da trama golpista.
A medida do MPM foi tomada após o Supremo declarar, no ano
passado, o trânsito em julgado das condenações, ou seja, reconhecer o fim da
possibilidade de recorrer e determinar a prisão do ex-presidente e dos demais
condenados.
De acordo com a Constituição, o oficial das Forças Armadas
pode ser expulso no caso de condenação criminal superior a dois anos de prisão.
No caso do processo da trama golpista, as penas de Bolsonaro e dos demais
acusados variam entre 19 e 27 anos de prisão.
Se a perda das patentes for decretada pelo STM, o salário
que Bolsonaro e os demais militares recebem será repassado para a esposa ou
filhas em forma de pensão. O benefício é conhecido como "morte ficta"
e está previsto na legislação das Forças Armadas desde 1960.
O tribunal militar é composto por 15 ministros, sendo cinco
civis e dez militares, cujas cadeiras estão distribuídas entre quatro vagas
destinadas ao Exército, três à Marinha e três à Aeronáutica.
Relatores
Após o MPM protocolar as ações, o tribunal definiu
eletronicamente os relatores dos processos. A ação contra Bolsonaro será
relatada por um ministro oriundo da Aeronáutica. O processo contra o general
Braga será relatado por um ministro da cadeira do Exército.
Bolsonaro: ministro Carlos Vyuk Aquino (Aeronáutica);
Almirante Garnier: ministra Veronica Sterman (Civil);
General Paulo Sergio Nogueira: ministro Barroso Filho
(Civil);
General Heleno: ministro Celso Luiz Nazareth (Marinha);
General Braga Netto: ministro Flavio Marcus Lancia
(Exército).
Julgamento
Em coletiva de imprensa, a presidente do STM, ministra Maria
Elisabeth Rocha, explicou que o tribunal não tem prazo legal para julgar as
ações.
A presidente disse que vai pautar os processos para
julgamento imediatamente após os relatores liberarem os casos para julgamento.
De acordo com as regras internas do STM, a presidente só vota em caso de empate
e sempre a favor do réu nas ações de perda do oficialato.
"Não pretendo procrastinar o julgamento de questões tão
relevantes que são submetidas à apreciação dessa Corte", afirmou.
André Richter/Juliana Andrade – Agência Brasil