
Foto: Gustavo Moreno/STF
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal
(STF), autorizou nesta sexta-feira (6) a divulgação do laudo feito por médicos
peritos da Polícia Federal sobre o estado de saúde do ex-presidente Jair
Bolsonaro. Pelo documento, ele não precisa ser transferido da prisão para um
hospital, mas deve ter seus cuidados de saúde aprimorados para evitar um
infarto, por exemplo.
Após o exame físico e a análise de exames laboratoriais e de
imagem fornecidos pela defesa, a conclusão dos peritos foi que Bolsonaro é
portador de sete problemas crônicos de saúde, mas que “tais comorbidades não
ensejam, no momento, necessidade de transferência para cuidados em nível
hospitalar”, diz o laudo.
Contudo, “é necessário otimização dos tratamentos e das
medidas preventivas por profissionais especializados em decorrência do risco de
complicações, principalmente eventos cardiovasculares”, acrescentaram os três
médicos da PF que assinam o documento.
Os três peritos examinaram Bolsonaro em 20 de janeiro, na
Papudinha, como é conhecida a unidade prisional em que está instalada a Sala de
Estado-Maior na qual o ex-presidente cumpre a pena de 27 anos e três meses de
prisão por ter liderado uma tentativa de golpe de Estado.
Os médicos não constataram doenças como depressão ou
pneumonia aspirativa, mas atestaram a existência das seguintes doenças no
ex-presidente:
- Hipertensão arterial sistêmica
- Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) grave
- Obesidade clínica
- Aterosclerose sistêmica;
- Doença do refluxo gastroesofágico
- Queratose actínica
- Aderências (bridas) intra-abdominais
Ainda segundo o laudo, na entrevista com os médicos Bolsonaro
“não apresentou queixas compatíveis com sentimentos de menos-valia,
desesperança ou anedonia [falta de prazer]”, ainda que pudesse demonstrar
abatimento.
Os médicos da PF inspecionaram também as instalações da
Papudinha, incluindo a cela de Bolsonaro e as áreas comuns, como banheiro e
academia. Ao final, os peritos fizeram quatro recomendações para melhorar as
condições em que o ex-presidente é mantido:
1.Investigação complementar, definição diagnóstica e
tratamento adequado do quadro neurológico em curso. Como medidas paliativas e
provisórias, até avaliação especializada, recomenda-se:
- instalação de grades de apoio em corredores e boxes de
banho do alojamento;
- instalação de campainhas de pânico/emergência adicionais
e/ou outros dispositivos de monitoramento em tempo real no alojamento;
- acompanhamento contínuo nas áreas comuns;
2. Avaliação nutricional e prescrição dietética por
profissional(is) especializado(s), direcionadas às comorbidades descritas
3. Prática regular de atividade física aeróbica e resistida,
conforme tolerância clínica;
4. Tratamento fisioterápico contínuo, com ênfase em força
muscular e equilíbrio postural.
Decisão
O laudo-médico foi produzido pela PF a pedido de Moraes, que
determinou a medida em 15 de janeiro, ao transferir Bolsonaro de uma sala na
Superintendência da PF para a Papudinha. O ministro deu agora cinco dias para
que a defesa e a Procuradoria-Geral da República se manifestem sobre o laudo.
Após o prazo, Moraes deverá reavaliar, novamente, os
reiterados pedidos dos advogados para que Bolsonaro tenha concedida uma prisão
domiciliar por razões humanitárias, devido ao estado de saúde e idade. Não há
prazo definido para uma decisão do ministro.
Felipe Pontes/Aline Leal – Agência Brasil