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24/02/2026

Paulo Guedes e Campos Neto recusam convite de Flávio Bolsonaro para um eventual Ministério da Economia



Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil


O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tentou, nas últimas semanas, dar um passo além no desenho de sua estratégia para 2026: buscou Paulo Guedes e Roberto Campos Neto para associar seus nomes a um eventual projeto econômico de campanha.

 

A ideia era simples e direta. Caso dispute — e vença — a Presidência da República, Flávio pretende recriar o Ministério da Economia, nos moldes adotados no governo Jair Bolsonaro, concentrando Fazenda, Planejamento e Indústria sob um único comando. Para dar lastro ao plano, procurou dois dos principais símbolos da política econômica daquele período.

 

Nenhum dos dois topou. A informação é do portal ICL Notícas.

 

De acordo com interlocutores que acompanharam as conversas, Guedes foi convidado a participar da formulação do programa econômico e teve o nome ventilado como possível titular da pasta, caso seja recriada. O ex-ministro, no entanto, deixou claro que não pretende retornar ao serviço público nem se vincular formalmente a uma campanha eleitoral.

 

No caso de Campos Neto, a sinalização foi semelhante. O ex-presidente do Banco Central também foi sondado para integrar o projeto como referência técnica e possível ministro da área econômica. A resposta foi negativa. A avaliação é que, após o período à frente da autoridade monetária, não há disposição para ingressar novamente na estrutura estatal — tampouco assumir papel político-eleitoral.

 

A movimentação de Flávio tinha um objetivo claro: enviar uma mensagem ao mercado financeiro e ao empresariado de que sua eventual candidatura manteria uma linha liberal, com compromisso fiscal e previsibilidade macroeconômica. A presença — ou ao menos o endosso — de Guedes e Campos Neto funcionaria como selo de continuidade.

 

Sem os dois, o senador terá de buscar outros nomes capazes de cumprir esse papel.

 

Dentro do PL, o diagnóstico é que a construção da candidatura passa, necessariamente, pela definição de uma equipe econômica que dialogue com o setor produtivo e reduza resistências fora da base bolsonarista mais fiel. A recusa de Guedes e Campos Neto não encerra a estratégia, mas impõe um ajuste de rota.

 

No tabuleiro de 2026, a economia segue como peça central. E, por ora, dois dos principais rostos da política econômica do último ciclo bolsonarista optaram por não voltar ao front.

 

Cleber Lourenço – ICL Notícias