
Fotos: Carlos Moura/Agência Senado e Divulgação/PL Mulher
Nem o bom desempenho nas pesquisas, tampouco a mais recente
internação de Jair Bolsonaro em Brasília, foram suficientes para promover uma
reaproximação entre Michelle e Flávio Bolsonaro. Aliados indicam um ambiente de
resistência da ex-primeira-dama, que não esconde o desconforto com alguns
movimentos do enteado.
O mal-estar ganhou corpo após Michelle, em dezembro, ter
sido publicamente desautorizada por criticar a aliança do PL com Ciro Gomes
(PSDB) na disputa pelo governo do Ceará. O episódio expôs fissuras e deixou
marcas. Desde então, a ex-primeira-dama passou a adotar postura mais distante
em relação à pré-campanha de Flávio, a ponto de Eduardo Bolsonaro cobrar
publicamente seu engajamento.
O afastamento foi alimentado pela mais recente investida do
PL no Ceará, com sinais de aproximação entre Flávio e Ciro, interpretada como
mais uma provocação direta à ex-primeira-dama. Uma viagem do pré-candidato do
PL ao estado, para anunciar a aliança com o tucano.
No contra-ataque, Michelle compartilhou um vídeo do senador
Sergio Moro (União Brasil-PR) com novas críticas e provocações ao ex-ministro.
A ex-primeira-dama não perdoa o fato de Ciro ter chamado o marido de “ladrão”
durante entrevistas replicadas nas redes.
Internamente, Michelle também teria desaprovado a animação
excessiva de Flávio durante agenda em Rondônia no fim de semana. A postura
viralizou nas plataformas digitais justamente quando Bolsonaro enfrentava um
dos momentos mais sensíveis na UTI. A recaída do ex-presidente tem consumido o
tempo da ex-primeira-dama, que se dedica a acompanhar o tratamento do marido no
hospital DF Star, em Brasília.
Da mesma forma, também deu sinais pela internet ao replicar
vídeo feito por uma apoiadora com ataques contra jornalistas que cobrem a
internação de Bolsonaro. Na gravação, a militante diz que os repórteres
estariam “torcendo” pela morte do principal líder da direita no país. Depois da
repercussão do caso, profissionais registraram boletins de ocorrência por terem
recebido ameaças de seguidores mais radicais do ex-presidente.
EM