
Foto: Isac Nóbrega/PR
A partir do início de maio, apostas sobre temas como
esportes, política e entretenimento passam a ser proibidas em plataformas de
mercado de previsões no Brasil. A medida, aprovada pelo Conselho Monetário
Nacional (CMN), busca fechar uma brecha regulatória e definir regras mais
claras para esse tipo de atividade.
Na prática, só continuarão permitidos contratos ligados a
temas econômicos e financeiros, como inflação, juros ou preço de commodities,
que são os bens primários com cotação internacional.
As novas regras constam da Resolução do CMN 5.298, aprovada
na noite de quinta-feira (23) pelo órgão, mas divulgada somente nesta
sexta-feira (23).
O que é o mercado preditivo?
O mercado preditivo funciona como uma espécie de “bolsa de
apostas” sobre eventos futuros. Nele, as pessoas compram e vendem contratos
baseados em perguntas simples como “Vai acontecer ou não?”
Se o evento acontecer, quem apostou ganha dinheiro. Se
não acontecer, perde.
A diferença em relação às apostas tradicionais é que:
- Nas bets, a empresa define as regras e paga os prêmios;
- Nos mercados preditivos, os próprios usuários negociam
entre si.
- Esses contratos são tratados como derivativos, tipo de
investimento que depende do valor futuro de algo.
O que passa a ser proibido?
Com a nova regra, ficam proibidos no Brasil contratos
ligados a:
- Resultados de jogos esportivos
- Eleições e temas políticos
- Reality shows e entretenimento
- Eventos sociais ou culturais
Na prática, boa parte do que fazia sucesso nessas
plataformas deixa de ser permitido. A proibição vale inclusive para plataformas
estrangeiras que ofereçam esses produtos a brasileiros.
O que continua liberado?
Ainda será possível negociar contratos ligados a variáveis
econômicas, como:
- Taxa de juros;
- Inflação;
- Câmbio;
- Preço de petróleo ou outras commodities.
Esses casos continuam sob supervisão da Comissão de Valores
Mobiliários (CVM), que regula o mercado financeiro.
Por que o governo tomou essa decisão?
O principal motivo é que o governo passou a entender que
apostas sobre eventos não-financeiros funcionam, na prática, como jogos de
azar, não como investimentos.
Dessa forma, apostas em eventos não financeiros só podem ser
feitas por meio de bets, que exigem:
- Licença do Ministério da Fazenda;
- Pagamento de taxas;
- Regras de proteção ao jogador.
Sem esses requisitos, as plataformas de mercado preditivo eram
vistas como concorrência irregular às bets.
O que muda para o setor?
A decisão reduz drasticamente o espaço de atuação de
empresas de mercado preditivo no Brasil, como plataformas internacionais que
ofereciam apostas sobre eleições ou eventos globais.
Por outro lado, o governo tenta:
- Evitar riscos para investidores;
- Reduzir especulação excessiva;
- Organizar um setor que crescia sem regras claras.
A regulamentação complementar será feita pela CVM, que
também ficará responsável por fiscalizar o cumprimento das novas normas.
Quando passa a valer?
As novas regras entram em vigor em 4 de maio e fazem parte
de um movimento mais amplo do governo para organizar o mercado de apostas e
produtos financeiros no país.
Wellton Máximo/Fernando Fraga – Agência Brasil