
Fotos: Reprodução/Redes Sociais
A morte da Miss Paraná, Maiara Cristina de Lima, de 31 anos,
no dia 19, evidencia casos pouco discutidos: o infarto agudo do miocárdio não é
exclusividade de idosos e pode ocorrer mesmo em pessoas jovens, aparentemente
saudáveis e sem sintomas prévios.
Maiara, que foi Miss Londrina em 2025 e eleita 1ª Princesa Miss
Sarandi no mesmo ano, se preparava para participar de um concurso de beleza
marcado para o dia 29 de abril, em Cascavel (PR). Ela chegou a ser socorrida
pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), por volta das 23h30 de
sábado (18/4), mas não resistiu. Segundo a equipe médica, Maiara não tinha
histórico de problemas de saúde.
Para esclarecer esse cenário, conversamos com o
cardiologista Augusto Vilela, representante do Departamento de Hipertensão
Arterial da SBC e diretor do Instituto do Coração de Fortaleza.
A morte de uma jovem saudável por infarto surpreende.
Isso é comum?
Não é o mais comum, mas também não é raro como as pessoas
imaginam. O que chama atenção nesses casos é justamente o perfil: jovens,
ativos, muitas vezes sem doenças conhecidas. Isso reforça que o infarto pode
ser silencioso e, em alguns casos, imprevisível. Vale o velho ditado: “Quem vê
cara, não vê coração”.
Como um infarto pode acontecer em alguém aparentemente
saudável?
O principal ponto aqui é a genética. Existem condições
hereditárias, como dislipidemias familiares, que elevam muito o colesterol
desde cedo, favorecendo o desenvolvimento precoce de placas nas artérias
coronárias. Além disso, há fatores como inflamação, alterações na coagulação e
até espasmos coronarianos que podem desencadear um evento agudo.
Então o histórico familiar é determinante?
Ele é crucial. Ter parentes de primeiro grau que tiveram
infarto precoce (homens antes dos 55 anos e mulheres antes dos 65) aumenta
significativamente o risco. Muitas vezes, esse é o único sinal de alerta,
porque, na maioria das vezes, o paciente não apresenta sintomas.
O infarto costuma dar sinais antes de acontecer?
Na maioria dos casos em jovens, não. Diferentemente do que
vemos em pacientes mais idosos, nos quais pode haver dor no peito aos esforços
ou falta de ar progressiva, o jovem pode ter um evento súbito como primeira
manifestação. Isso é o mais preocupante.
Existe algo que pode ser feito para prevenir?
Sim, principalmente rastreamento. Jovens com histórico
familiar devem fazer avaliação cardiológica precoce, incluindo exames de
colesterol, glicemia, pressão arterial e, em alguns casos, exames mais
específicos. Identificar alterações cedo pode mudar completamente o desfecho.
Pessoas que praticam atividade física e têm boa
alimentação também estão em risco?
Estão, especialmente se houver predisposição genética. O
estilo de vida saudável reduz o risco, mas não o anula completamente. Por isso,
não podemos confiar apenas na aparência ou no condicionamento físico.
Quais sinais de alerta a população deve observar?
Dor no peito em aperto, que pode irradiar para braço,
pescoço ou mandíbula, falta de ar, suor frio, náuseas e mal-estar súbito. Mas
reforço: em jovens, muitas vezes o primeiro sintoma já é um evento grave.
Qual a principal mensagem que fica com esse caso?
Que saúde não é apenas o que vemos por fora. O coração pode
estar em risco mesmo em pessoas jovens, bonitas, ativas e aparentemente
saudáveis. Conhecer sua história familiar e fazer check-ups regulares pode
salvar vidas.
EM