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02/05/2026

Carlos Magno solicita que o DataSenado pesquise a saúde mental e seus impactos no setor da comunicação social no Brasil



Foto: Saulo Cruz/Agência Senado


O jornalista Carlos Magno, membro do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional, solicitou à presidência do colegiado que envie ao DataSenado, órgão de pesquisa do Senado Federal, sugestão para uma análise detalhada da saúde mental e seus impactos no setor de comunicação social no Brasil. Foi durante reunião do Conselho na qual Magno apresentou um diagnóstico sobre o tema. Na sua apresentação, ele relatou dificuldades para encontrar dados que apontem como anda a saúde mental dos jornalistas e demais profissionais da comunicação no Brasil. O vídeo com a apresentação pode ser visto no link disponibilizado ao final desta matéria.

 

Magno disse que, para a elaboração do seu relatório, viu poucos estudos em relação ao Brasil, mas identificou uma pesquisa americana que apontou para uma realidade muito preocupante que, segundo ele, não deve ser muito diferente da brasileira, pois o cotidiano dos profissionais da comunicação nos EUA se assemelha muito ao do Brasil. O relatório de Magno sugere que é preciso aprofundar as pesquisas sobre os problemas de saúde mental dos profissionais da comunicação em nosso país.

 

Afastamento do Trabalho

 

Com base em dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Carlos Magno informou que em 2024 houve 472 mil afastamentos do trabalho por conta de transtornos mentais. O número representa um crescimento de 68% em relação ao ano anterior. No caso do jornalismo, o Conselheiro observou que as longas jornadas de trabalho são consideradas um ponto crítico para a saúde mental. Outro problema específico da comunicação é a tendência a dar mais destaque a notícias ruins, o que leva o profissional a lidar com mais frequência com ocorrências trágicas ou negativas.

 

Pesquisa Americana

 

Sobre a pesquisa americana, o Conselheiro disse que ela foi feita em 2024 e ouviu 1.140 jornalistas, entre ativos, aposentados, afastados do trabalho e estudantes. Os dados apontam que 84% dos jornalistas e 88% dos ex-jornalistas sofreram com questões de saúde mental; e 64% dos entrevistados disseram que a saúde mental tem um impacto dramático sobre o ambiente de trabalho da comunicação.

 

Realidade Brasileira

 

Magno também citou a pesquisa intitulada Jornalismo no Brasil em 2025, produzida pela newsletter Farol Jornalismo em parceria com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Foram ouvidos 275 profissionais de seis redações brasileiras. Eles relataram uma cultura tóxica no ambiente de trabalho, o que agrava a sobrecarga mental. As principais reclamações foram: falta de empatia, pouca transparência na comunicação, comunicação violenta, desrespeito às folgas e sobrecarga de trabalho.

 

“É uma pesquisa restrita, mas serve de base para a realidade brasileira. O estudo conclui alertando para a necessidade de se ampliar as discussões sobre a saúde mental dos jornalistas”, registrou Magno, destacando que a realidade vem piorando depois da pandemia do coronavírus. Segundo o conselheiro, entre as medidas individuais para amenizar as questões de saúde mental estão a prática de exercícios físicos, a boa alimentação e o respeito ao sono. Entre as medidas coletivas, estariam o combate a jornadas exaustivas e o incentivo ao compartilhamento de trabalho.

 

Veja a apresentação do relatório do Conselheiro Carlos Magno, CLIQUE AQUI.

 

CCS

 

O Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional tem como atribuição a realização de estudos, pareceres, recomendações e outras solicitações que lhe forem encaminhadas pelo Congresso Nacional a respeito da comunicação social no Brasil. Presidido pela conselheira Patrícia Blanco, o conselho é composto por membros da sociedade civil, representantes das empresas de comunicação e de categorias profissionais dos jornalistas, dos cineastas e de áreas ligadas à comunicação social.

 

Da Redação, com informações da Agência Senado