
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
O jornalista Carlos Magno, membro do Conselho de Comunicação
Social do Congresso Nacional, solicitou à presidência do colegiado que envie ao
DataSenado, órgão de pesquisa do Senado Federal, sugestão para uma análise
detalhada da saúde mental e seus impactos no setor de comunicação social no
Brasil. Foi durante reunião do Conselho na qual Magno apresentou um diagnóstico
sobre o tema. Na sua apresentação, ele relatou dificuldades para encontrar
dados que apontem como anda a saúde mental dos jornalistas e demais profissionais
da comunicação no Brasil. O vídeo com a apresentação pode ser visto no link
disponibilizado ao final desta matéria.
Magno disse que, para a elaboração do seu relatório, viu
poucos estudos em relação ao Brasil, mas identificou uma pesquisa americana que
apontou para uma realidade muito preocupante que, segundo ele, não deve ser
muito diferente da brasileira, pois o cotidiano dos profissionais da
comunicação nos EUA se assemelha muito ao do Brasil. O relatório de Magno sugere
que é preciso aprofundar as pesquisas sobre os problemas de saúde mental dos
profissionais da comunicação em nosso país.
Afastamento do Trabalho
Com base em dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Carlos
Magno informou que em 2024 houve 472 mil afastamentos do trabalho por conta de
transtornos mentais. O número representa um crescimento de 68% em relação ao
ano anterior. No caso do jornalismo, o Conselheiro observou que as longas
jornadas de trabalho são consideradas um ponto crítico para a saúde mental.
Outro problema específico da comunicação é a tendência a dar mais destaque a
notícias ruins, o que leva o profissional a lidar com mais frequência com
ocorrências trágicas ou negativas.
Pesquisa Americana
Sobre a pesquisa americana, o Conselheiro disse que ela foi
feita em 2024 e ouviu 1.140 jornalistas, entre ativos, aposentados, afastados do
trabalho e estudantes. Os dados apontam que 84% dos jornalistas e 88% dos
ex-jornalistas sofreram com questões de saúde mental; e 64% dos entrevistados
disseram que a saúde mental tem um impacto dramático sobre o ambiente de
trabalho da comunicação.
Realidade Brasileira
Magno também citou a pesquisa intitulada Jornalismo no
Brasil em 2025, produzida pela newsletter Farol Jornalismo em parceria com a
Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Foram ouvidos 275
profissionais de seis redações brasileiras. Eles relataram uma cultura tóxica
no ambiente de trabalho, o que agrava a sobrecarga mental. As principais
reclamações foram: falta de empatia, pouca transparência na comunicação,
comunicação violenta, desrespeito às folgas e sobrecarga de trabalho.
“É uma pesquisa restrita, mas serve de base para a realidade
brasileira. O estudo conclui alertando para a necessidade de se ampliar as
discussões sobre a saúde mental dos jornalistas”, registrou Magno, destacando
que a realidade vem piorando depois da pandemia do coronavírus. Segundo o
conselheiro, entre as medidas individuais para amenizar as questões de saúde
mental estão a prática de exercícios físicos, a boa alimentação e o respeito ao
sono. Entre as medidas coletivas, estariam o combate a jornadas exaustivas e o
incentivo ao compartilhamento de trabalho.
Veja a apresentação do relatório do Conselheiro Carlos Magno, CLIQUE AQUI.
CCS
O Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional tem
como atribuição a realização de estudos, pareceres, recomendações e outras
solicitações que lhe forem encaminhadas pelo Congresso Nacional a respeito da
comunicação social no Brasil. Presidido pela conselheira Patrícia Blanco, o
conselho é composto por membros da sociedade civil, representantes das empresas
de comunicação e de categorias profissionais dos jornalistas, dos cineastas e
de áreas ligadas à comunicação social.
Da Redação, com informações da
Agência Senado