
Foto: Ilustração/Pixabay
Um líder espiritual, de 46 anos, foi preso na última
sexta-feira (12/6), no Bairro Castelo, na Região da Pampulha, em Belo
Horizonte, por suspeita de abusar de fiéis que frequentavam a instituição de
umbanda que ele presidia. O imóvel onde eram feitos os cultos fica no Bairro
Lagoa, na Região de Venda Nova, na capital mineira.
A denúncia chegou à Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) por
meio de uma membro da casa de umbanda, comandada pelo suspeito. Ela relatou à
corporação que o homem abusava sexualmente das seguidoras e que usava da
situação de vulnerabilidade das moças para apalpá-las.
“Ele usava desse posto de líder religioso para causar medo
nelas. Como ele fazia isso? Durante as sessões de mediunidade, o homem
identificava as vítimas que sofreram abuso sexual em algum momento da vida ou
que tinham alguma enfermidade emocional – depressão ou baixa autoestima –, e
usava disso para abusá-las”, aponta o delegado Rodolfo Rabelo, da Delegacia
Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA).
A partir do momento que o suspeito identificava essas
fragilidades, ele se aproximava das vítimas, chamava-as para conversar e dizia
que havia sonhado com elas. Nos eventos na casa, passava a mão no corpo delas e
enviava fotos íntimas para as frequentadoras da casa.
“Uma das pessoas que sofreu abuso sexual relatou que ele
chegou a culpabilizá-la pelo abuso, na qual ele apontava que a energia dela
chamava atenção de outros homens e que era necessário fazer um trabalho para
tirar carga dela. Ele aproveitou disso para passar a mão em todo corpo dela”,
destaca Rabelo.
Em três dias de investigações, oito vítimas foram
identificadas, porém a PCMG estima que esse número seja maior, em decorrência
da alta quantidade de rotação de fiéis e a idade da casa em que ele atuava – 10
anos. As vítimas, todas do sexo feminino, tinham entre 16 e 17 anos na época em
que os abusos ocorreram. A polícia investiga a possibilidade de homens terem
sido abusados pelo líder também.
“Quando o pai de santo identificou a possibilidade de que
fossem feitas as denúncias para a polícia, ele obrigou as mulheres violentadas
a assinar um termo, para se precaver de que essas investigações chegassem
nele”, finaliza o delegado.
O suspeito foi preso em sua casa no Bairro Castelo, local em
que morava com os pais. No local, foram apreendidos cinco pen drives, um
celular, um notebook e diversas anotações das pessoas que frequentavam o local.
EM