
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
O Ministério Público Eleitoral (MPE) enviou nesta
segunda-feira (22) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) parecer contrário à
decisão individual do ministro Nunes Marques, que suspendeu a divulgação de uma
pesquisa de intenção do voto para presidente da República, promovida pela
AtlasIntel.
O levamento foi realizado após a divulgação de conversas
entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da
República, e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com o objetivo
de medir o impacto da notícia na intenção de voto dos eleitores.
O parecer foi motivado por um recurso do PL contra a decisão
do ministro, que é presidente do TSE.
Na manifestação, o vice-procurador Alexandre Espinosa disse
que a interferência da Justiça Eleitoral em pesquisas de intenção de voto deve
ser excepcional e somente se houver intervenção indevida na livre formação da
opinião dos entrevistados.
Para o vice-procurador, não houve irregularidades nas
perguntas feitas aos entrevistados. Espinosa considera natural que institutos
de pesquisa procurem questionar os eleitores sobre "temas políticos
sensíveis".
"A intervenção da Justiça Eleitoral nas pesquisas
eleitorais somente deve ser admitida em situações excepcionais, nas quais fique
sobejamente demonstrada uma quebra objetiva do dever de equidistância e
imparcialidade no levantamento científico realizado, com evidências concretas
que permitam concluir uma indução que represente significativa interferência
indevida na livre formação da opinião dos entrevistados", afirmou.
Entenda
No dia 8 de junho, o presidente do TSE, Kassio Nunes
Marques, suspendeu a divulgação do levantamento e entendeu que a pesquisa
induziu as respostas dos eleitores.
A pesquisa foi divulgada no dia 19 de maio e apontou queda
de cinco pontos na intenção de voto em Flávio Bolsonaro após o surgimento da
conversa do parlamentar com Vorcaro.
O ministro atendeu a um pedido de suspensão feito pelo PL. O
partido questionou perguntas relacionadas ao caso Master e disse que também foi
apresentado aos eleitores o áudio no qual Flávio aparece pedindo dinheiro a
Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair
Bolsonaro.
Com a decisão individual de Nunes Marques, a pesquisa não
pode permanecer publicada nos canais oficiais da empresa, ser republicada ou
impulsionada nas redes sociais.
No dia 9 de junho, o plenário do TSE começou a decidir se a
liminar do ministro será referendada, mas um pedido de vista da ministra Estela
Aranha interrompeu o julgamento.
A data da retomada do julgamento ainda não foi definida.
André Richter/Denise Griesinger – Agência Brasil