
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Turistas brasileiros já conseguem pagar com Pix diretamente
no comércio de oito países, na América do Sul, América do Norte e Europa. A
funcionalidade opera dentro dos próprios aplicativos dos bancos brasileiros,
viabilizada por parcerias entre fintechs nacionais, instituições financeiras e
credenciadoras internacionais de maquininhas.
Hoje, o recurso está disponível em estabelecimentos do
Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Estados Unidos, Portugal, Espanha e
França. O Banco Central faz uma ressalva importante: não existe um “Pix
internacional” oficial mantido pelo governo brasileiro fora do país. As
transações acontecem por meio de empresas de câmbio credenciadas, chamadas de
eFX, responsáveis por converter os valores em tempo real.
O processo nos pontos de venda no exterior segue uma lógica
parecida com a usada no Brasil. A maquininha do estabelecimento gera um QR Code
na tela, que o turista escaneia pelo aplicativo do próprio banco. Em seguida, o
app mostra o valor final já convertido em reais, com as taxas incluídas. A
confirmação é feita por senha ou biometria, e a empresa intermediária cuida da
conversão da moeda, repassando o pagamento ao comerciante na moeda local, seja
em pesos, dólares ou euros.
Por que vale a pena: a economia no imposto
O principal atrativo do Pix internacional está no custo mais
baixo em comparação ao cartão de crédito. Compras internacionais no cartão são
taxadas com 5,38% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), além da cotação
do chamado dólar turismo. Já os pagamentos feitos pelo aplicativo usam taxas de
câmbio comercial, mais vantajosas, com impostos reduzidos. A modalidade ainda
evita a necessidade de carregar dinheiro em espécie ou recorrer a casas de
câmbio no destino.
O uso se concentra em destinos turísticos e redes populares
entre brasileiros. Na América do Sul, cobre hotéis, restaurantes, centros de
esqui e lojas de fronteira no Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai. Nos Estados
Unidos e na Europa, funciona em estabelecimentos de cidades como Miami,
Orlando, Lisboa, Madri e Paris.
Quem viabiliza o serviço
A expansão do Pix fora do Brasil depende de acordos entre
diferentes empresas do setor financeiro. No Chile, a fintech PagBrasil trabalha
junto com a credenciadora local VirtualPOS para viabilizar o pagamento por QR
Code em milhares de terminais. Na Argentina, o Banco do Brasil fechou parceria
com o Banco Patagonia, garantindo a leitura direta em mais de 6 mil
estabelecimentos.
No Uruguai, quem oferece o serviço é a Getnet, enquanto nos
Estados Unidos a integração ficou a cargo da Verifone, em terminais de cidades
norte-americanas. Já a estrutura de liquidação entre fronteiras conta com o
apoio de bancos como o BS2 e plataformas de câmbio como a Remessa Online.
Uso em alta, mesmo sem dados oficiais consolidados
O Banco Central não divulga números específicos sobre
pagamentos presenciais feitos por Pix no exterior, já que esses valores entram
no balanço geral de operações de câmbio e transferências internacionais. Ainda
assim, dados do próprio setor mostram forte crescimento: a PagBrasil registra
alta média de 22,5% ao mês no volume de transações realizadas fora do país.
Segundo o Global Payments Report, os 170 milhões de usuários cadastrados no Pix
no Brasil têm levado credenciadoras internacionais a adaptar seus sistemas para
atender à demanda do turista brasileiro.
ICL Notícias