
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
A Polícia Federal (PF) descobriu que Robson Calixto da
Fonseca, o "Peixe", miliciano condenado pela participação no
assassinato da vereadora Marielle Franco, referiu-se ao senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) como "nosso senador" em mensagens de celular.
A história das mensagens reveladas nesta quarta-feira (23/9)
pela revista Piauí, começa em outubro de 2023 e faz parte da operação que apura
o desvio de uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil, negociada a pedido de
Calixto por uma assessora do parlamentar.
A investigação busca esclarecer se a destinação da verba
pública beneficiou a milícia e o grupo político dos irmãos Chiquinho e Domingos
Brazão, apontados como mandantes do assassinato de Marielle Franco.
Quem é Robson Calixto, o "Peixe"?
Robson Calixto da Fonseca, conhecido como "Peixe",
é um ex-policial militar e foi assessor de Domingos Brazão no Tribunal de
Contas do Estado do Rio (TCE-RJ). Atualmente cumprindo pena em regime fechado,
ele foi condenado pela Justiça por sua participação no assassinato da vereadora
Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em março de 2018.
Sua conexão com o gabinete do senador Flávio Bolsonaro
acendeu um alerta na PF sobre a possível interferência do grupo no acesso a
recursos públicos federais.
Como a emenda de quase R$ 200 mil foi negociada?
Mensagens de texto revelam como a verba foi intermediada
pela assessora de Flávio Bolsonaro. O dinheiro, no valor exato de R$
199.999,79, foi destinado ao Instituto de Formação Profissional José Carlos
Procópio (IFOP), entidade ligada aos irmãos Brazão. O processo, segundo a PF,
seguiu as seguintes etapas:
- Robson Calixto contatou a assessora para solicitar os
recursos para o IFOP, mencionando os interesses dos irmãos Brazão.
- A assessora confirmou a viabilidade da emenda e sugeriu
que Chiquinho Brazão fosse a um evento para reforçar o pedido pessoalmente ao
senador.
- A verba foi repassada ao Ministério do Esporte, que firmou
um termo de fomento com o instituto.
- O pagamento foi efetivado em novembro de 2023, e a PF
apura se os valores foram desviados para a milícia.
Qual o papel da assessora Maria de Fátima Bezerra Castro?
Maria de Fátima Bezerra Castro, lotada no gabinete do
senador em Brasília, é apontada como a principal ponte entre o miliciano e a
verba parlamentar. As conversas analisadas pela Polícia Federal mostram que ela
tratou diretamente com Robson Calixto os detalhes e o andamento do repasse do
dinheiro público.
A PF investiga se a funcionária agiu por conta própria ou se
cumpria ordens superiores. A proximidade revelada nas mensagens e o tratamento
informal indicam uma relação de confiança entre o gabinete do senador e Robson
Calixto da Fonseca.
EM