
Foto: Paróquia Jesus Cristo Ressuscitado/Material Cedido ao Correio
Uma imagem de Santa Dulce dos Pobres foi retirada de um
altar e destruída dentro da Paróquia Jesus Cristo Ressuscitado, no bairro de
Plataforma, em Salvador. O episódio, registrado na Polícia Civil em 22 de
setembro, ganhou repercussão nas redes sociais no domingo (27/9) e será
investigado pela Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância
Religiosa. Até o momento, ninguém foi preso.
Ao Correio, a paróquia afirmou que uma pessoa entrou na
igreja e levou a imagem da primeira santa brasileira do altar lateral até uma
área próxima à mesa eucarística, onde a peça foi quebrada. Não foram divulgadas
informações sobre a identidade de quem praticou o ato ou sobre a possível
motivação.
Responsável pela paróquia, o padre Marcos Studart afirmou
que o episódio precisa ser tratado não apenas como uma agressão ao espaço
religioso, mas como um alerta para outras formas de violência e intolerância.
“Ao mesmo tempo que buscamos a paz, buscamos a verdade e a
justiça. Não podemos permitir essa violência em nenhum âmbito, nem no nosso e
nem no dos nossos vizinhos”.
Ao comentar o estado em que a imagem foi encontrada, o
sacerdote disse que a cena também o levou a refletir sobre a possibilidade de
responder à violência sem reproduzi-la. Para ele, a destruição da peça pode
assumir um significado de apelo à convivência.
“Uma imagem quebrada, partida, nos convida a rezar, por um
mundo de compreensão e de paz.”
Studart defendeu ainda que divergências religiosas ou de
outras naturezas sejam discutidas sem que o respeito às escolhas alheias exija
o abandono das próprias convicções. A mensagem, segundo ele, deve ser de
diálogo em um momento no qual a violência já ocupa espaço excessivo na
sociedade.

Foto: Paróquia Jesus Cristo Ressuscitado/Material Cedido ao Correio
Investigação
Em nota ao Correio, a Polícia Civil informou que a apuração
ficará sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e
à Intolerância Religiosa.
A investigação deverá esclarecer quem entrou na igreja, em
quais circunstâncias a imagem foi destruída e se houve motivação relacionada à
intolerância religiosa.
Religião no debate eleitoral
A repercussão do caso ocorre em um momento em que símbolos
da fé católica também passaram a ocupar espaço no debate político e eleitoral.
Nos últimos dias, uma disputa envolvendo publicações sobre Nossa Senhora
Aparecida chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal
Federal (STF).
O ministro André Mendonça, atuando no TSE, determinou a
retirada de publicações que atribuíam a Flávio Bolsonaro (PL) e a integrantes
da direita a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de
Padroeira do Brasil. Flávio Dino, do STF, derrubou posteriormente parte da
determinação, mas Luiz Fux suspendeu a decisão do colega e restabeleceu os
efeitos da ordem eleitoral enquanto o tema aguarda análise colegiada.
Correio Braziliense