
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério
Correia (PT-MG), com apoio de Ana Elisa (PT-MG) pediram ao Supremo Tribunal
Federal (STF) a prisão preventiva de Flávio Bolsonaro e a inclusão do senador
em alerta vermelho da Interpol. O pedido foi feito logo após o do filho do
ex-presidente Jair Bolsonaro deixar o país
nesta terça-feira (27/10).
“Ele está fugindo por vários motivos. Um deles é o Banco
Master, que ele recebeu R$ 72 milhões. Está fugindo porque roubou uma ilha do
Brasil através do governo do pai dele, lá em Angra dos Reis”, afirmou Rogério
Correia nas redes sociais. “Estava foragido também porque, junto com Willer
Tomaz, estava fazendo lavagem de dinheiro. E estava foragido porque ele estava
articulando uma nova tentativa de caso ganhasse as eleições”.
O argumento do pedido é que Flávio descumpriu a determinação
de entrega dos passaportes à Polícia Federal. Os três deputados também pedem
que a Procuradoria Geral da República (PGR) se manifeste com urgência, que a
defesa informe o paradeiro do senador e que a Argentina forneça informações
sobre a fuga.
Em alternativa à prisão, caso Flávio seja encontrado no
Brasil, o documento solicita o uso de tornozeleira econômica, recolhimento
domiciliar e comparecimento periódico à Justiça.
Descumprindo pronunciamento após o segundo turno, em que
nega que deixaria o país e afirma que entregaria os passaportes, Flávio
Bolsonaro fugiu do país na madrugada junto da esposa e das duas filhas. O irmão
Eduardo, que já vive nos EUA desde 2025, defendeu a fuga dias antes do segundo
turno.
Alerta vermelho
O alerta vermelho da Interpol não funciona como um mandado
de prisão. A legislação dos EUA impede que uma pessoa seja presa apenas por
estar no alerta vermelho da Interpol feito por outro país-membro.
Caso o suspeito seja encontrado em território
norte-americano, as autoridades locais devem analisar se há um pedido de
extradição válido e exigir um pedido diplomático de prisão provisória. Só após
esse pedido, o Ministério Público dos EUA pode emitir um mandado de prisão para
que o suspeito foragido seja extraditado.
Bloqueio de bens e contas
A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) pediu nesta
terça-feira (27/10) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal
Federal (STF), o bloqueio de bens, valores e contas bancárias do senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) e de sua mulher, Fernanda Bolsonaro. A parlamentar relaciona
a solicitação a notícias sobre uma possível saída do senador do Brasil e ao
inquérito que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado
Willer Tomaz e empresas ligadas a ele.
No documento encaminhado ao STF, Erika também solicita que o
caso seja levado com urgência à Procuradoria-Geral da República (PGR). A
deputada argumenta que medidas patrimoniais poderiam evitar prejuízos às
investigações caso seja confirmado o risco de Flávio permanecer no exterior. A
adoção das providências, porém, depende da avaliação das autoridades
competentes e da existência de elementos que indiquem risco efetivo de fuga.
A possibilidade de Flávio estar nos Estados Unidos foi
mencionada por Simón Levy, aliado do presidente norte-americano Donald Trump. A
informação aparece entre os elementos relacionados ao pedido da deputada, que
também defende a extensão das medidas à mulher do senador.
O Correio apurou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
chegou na tarde desta terça-feira (27/10) aos Estados Unidos. De acordo com
fontes na Polícia Federal, a suspeita é de que a ação teria sido coordenada
pelo secretário de Estado do governo Trump, Marco Rubio.
Investigação apura suspeita de lavagem de dinheiro
A petição apresentada por Erika Hilton retoma informações de
uma investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de lavagem de dinheiro
envolvendo Willer Tomaz, Flávio Bolsonaro e empresas associadas ao advogado.
Segundo os elementos citados no documento, dados obtidos
após a quebra do sigilo telemático de Tomaz indicariam que o senador foi
cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings,
empresa vinculada ao advogado.
A parlamentar também menciona registros de encontros entre
Flávio e Tomaz, documentos pessoais do senador encontrados no serviço de
armazenamento iCloud do advogado e viagens que teriam sido custeadas pela
Cathedral, outra empresa ligada a Tomaz.
Esses elementos são apresentados na petição como parte do
conjunto de informações que justificariam a solicitação de medidas cautelares.
As suspeitas investigadas, contudo, não equivalem a uma comprovação de
responsabilidade criminal.
Erika Hilton acusa senador de tentar evitar a Justiça
Nas redes sociais, a deputada afirmou que a possível saída
de Flávio do país exige atenção das autoridades. Ela também associou o pedido a
declarações do senador sobre o resultado das eleições e a manifestações
anteriores de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. “Frente às notícias
de fuga de Flávio Bolsonaro, estou pedindo o bloqueio de seus bens, de suas
contas bancárias e também as de sua esposa”, escreveu Erika.
A parlamentar acusou o senador de buscar proteção contra
eventuais consequências judiciais e afirmou que uma permanência no exterior
poderia ampliar sua capacidade de influenciar outros países contra as
instituições brasileiras. “Ele concorreu para se blindar da Justiça”, declarou
a deputada, ao criticar a atuação política de Flávio e mencionar a
possibilidade de concessão de perdão a pessoas investigadas ou condenadas,
entre elas o pai do senador, Jair Bolsonaro.
Erika também defendeu que as autoridades atuem rapidamente
para impedir o que considera um risco às investigações. Na publicação, afirmou
que Flávio não deveria ter acesso a recursos públicos enquanto persistissem as
suspeitas levantadas por ela. O pedido agora depende da análise das autoridades
competentes.
Correio Braziliense