
Foto: Lula Marques/Agência Brasil
O governo federal e instituições como o Ministério Público
do Trabalho (MPT) e o Tribunal Superior do Trabalho (TST) garantiram, nesta
quarta (28), que empresas que cometerem assédio eleitoral, incluindo pressão ou
demissões por conta de opiniões políticas, serão punidas com o rigor da lei.
Em coletiva de imprensa, o ministro do Trabalho, Luiz
Marinho, disse que o governo estuda a criação de uma “lista suja” de empresas
que cometem assédio eleitoral no Brasil, incluindo pressão ou demissão por
conta de opção política. Segundo ele, a empresa que cometer essa ilegalidade
vai sofrer sanções de restrição de créditos públicos.
Ele informou que uma força-tarefa foi criada para combater
esse tipo de violação.
“[O objetivo é] poder, além das providências, ter uma lista
que a gente possa mostrar para a sociedade que tem empresas cometendo
ilegalidades de eventual crime contra o trabalhador”, afirmou.
Marinho explica que a restrição ocorrerá a partir do Banco
Central, que informará a rede financeira do país sobre quem violar o princípio
democrático de livre escolha dos representantes.
“Mão pesada”
O procurador regional do trabalho Maurício Coentro Pais de
Mello destacou que chegaram ao Ministério Público do Trabalho, nos últimos três
dias, ao menos 1.140 denúncias de assédio eleitoral, das 3.080 que ocorreram
desde o início da campanha.
“Isso mostra exatamente que quase 30% das denúncias
ocorreram pós-processo eleitoral. Isso é uma preocupação muito grande”.
Luiz Marinho disse que não se pode aceitar que um
trabalhador seja pressionado e vitimado por demissão ou por não contratação.
“Nós não estamos falando de coloração A ou B. O trabalhador tem o direito
democrático garantido na nossa Constituição de ter o direito à sua opção
política”.
“Recado dado”
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz
Philippe Vieira de Mello Filho, destacou que estão sendo atingidos
trabalhadores assalariados e profissionais autônomos que divulgam seu trabalho
por redes sociais e estabelecimentos comerciais de pequenos portes ou
propriedades que manifestaram sua posição política.
“É preciso que o recado seja dado com muita clareza. A
resposta para aqueles que praticaram a ilegalidade será dura e rápida, será
ágil. E mais: esses empregadores que, infelizmente, tiveram essa conduta, se
preocupem. Porque o risco econômico que estão assumindo é muito grande”.
Luiz Marinho destacou que a eleição teve o maior volume
desse tipo de problemas relacionados ao assédio e violência eleitoral. Por
isso, há dois canais de denúncias para informar sobre essas violações: pelo
Ministério do Trabalho e Emprego e no canal do Ministério Público do Trabalho.
“Se tiver mau empresário, terá a mão pesada do Estado. É
isso que nós estamos anunciando aqui”.
De olho nas redes
O secretário executivo do Ministério da Justiça, Adhemar
Borges, que também esteve na coletiva de imprensa, chamou atenção que as
plataformas digitais têm a obrigação legal de exercerem dever de combater
violências, como o racismo, a discriminação e a violência contra a mulher.
“Em relação a esses crimes mais graves, as plataformas têm o
dever de retirada do conteúdo ilícito de maneira proativa, independente de
notificação das vítimas e dos usuários”, afirmou.
De toda forma, os usuários têm direito a notificar as
plataformas para que retirem os conteúdos ilícitos no prazo fixado.
“Há registro de casos que envolvem as relações de trabalho e
que expressam diversas formas de opressão, de assédio e de constrição à
liberdade dos trabalhadores em relação ao voto, inclusive com chamamentos a
boicotes e demissões”.
Luiz Cláudio Ferreira/Carolina Pimentel – Agência Brasil