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17/11/2018

A dor de uma mãe que entrega sua única filha a Deus e o conforto que a certeza da vida eterna nos traz


Esta semana, todos nós que desfrutamos de amizade com Zélia e Jarbas nos consumimos um pouco em meio às lágrimas pela perda irreparável e prematura de Raissinha. Uma menina meiga, doce, agradável, linda, inteligente e que lutou, até enquanto pôde, por permanecer entre nós aqui neste mundo.

 

A Mistagogia Divina nos faz pensar muito e entender pouco sobre o papel determinado pelo Criador para que o estejamos cumprindo aqui neste mundo. Ao se comunicar com a humanidade através dos profetas e, mais recentemente, ao transmitir um pouco dos mistérios de Sua existência através de Seu Filho Jesus Cristo, Deus nos faz entendedores do Seu Reino e nos dá a certeza de que tudo está preparado para nós, para que possamos, um dia, compartilhar da vida ao lado do Pai, na Morada Celestial.

 

A tristeza externada em lágrimas e palavras por Zélia; e em zelo e preocupação por Jarbas, tem um sentido, é claro. A perda de um ente querido acarreta sentimentos de solidão e desconforto. De um filho, então, ainda mais. E para quem conhecia a cumplicidade entre Zélia e Raissinha, muito mais ainda...



 

O mais confortante é trazido pelo próprio Deus, através da Bíblia, que contem a Sua Palavra. E a Sagrada Escritura nos mostra que o principal é saber que nem tudo acaba aqui. Pelo contrário, a morte significa o nascimento para uma Vida Eterna. E se considerarmos o que Deus nos preparou e nos transmitiu pela Sagrada Escritura, muito melhor do que esta que estamos a desfrutar hoje.

 

Existem vários trechos da Bíblia que podem nos confortar em momentos como este. A começar pelo Livro da Sabedoria. “As almas dos justos estão nas mãos de Deus e nenhum tormento as alcançará” (Sb 3, 1a). No mesmo livro, mais certezas para nós: “Aparentemente estão mortos aos olhos dos insensatos: seu desenlace é julgado como uma desgraça, e sua morte como uma destruição, quando na verdade estão na paz” (Sb 3, 2-3).

 

A Sagrada Escritura também nos dá a certeza de que, ao morrer, partimos daqui e nascemos, imediatamente, em uma Nova Vida, ao lado do Pai Celestial. “Ainda hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23, 43), disse Jesus ao ‘bom ladrão’, crucificado a seu lado.

 

Por outro lado, ainda que em algumas crenças a oração pelos mortos seja sem sentido, para os cristãos católicos rezar por quem já não está entre nós tem grande valia, considerando o que nos mostra a Sagrada Escritura. Vejamos:

 

“Puseram-se em oração, para implorar-lhe o perdão completo do pecado cometido. O nobre Judas falou à multidão, exortando-a a evitar qualquer transgressão, ao ver diante dos olhos o mal que havia sucedido aos que foram mortos por causa dos pecados. Em seguida, fez uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados: belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição, porque, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. Mas, se ele acreditava que uma bela recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era esse um bom e religioso pensamento; eis por que ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas” (2Mac 12, 42-46)

 

Por isso, considerando que para nós, cristãos católicos, o sacrifício por excelência é o sacrifício eucarístico; e a oração completa também está presente neste sacrifício, que é a Santa Missa, devemos considerar, respeitar e participar deste “sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas”, como descrito no final do trecho bíblico acima.

 

Portanto, vemos a importância que nós, católicos, damos à Missa, pois nela escutamos a Palavra de Deus e nos alimentamos do Corpo e Sangue de Cristo, o que nos permite estar unidos intimamente a Jesus e nos possibilita nossa futura ressurreição:

 

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim.” (Jo 6, 54-57).

 

Porém, mesmo com todas essas certezas, claro que a morte é dolorosa. Jesus chocou diante da morte de seu amigo Lázaro, a quem muito amava. Mas a dor deve sempre ser substituída pela certeza que nos dá Jesus Cristo, através da Sagrada Escritura. “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá” (Jo 11, 25-26).

 

E para finalizar, o caminho para que possamos fortalecer nossa fé e a esperança da vida eterna, o que nos traz conforto e alegria para a alma: “Irmãos, não queremos que ignoreis coisa alguma a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais, como os outros homens que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morreram” (1Tes 4, 13-14).

 

Que Jarbas, Zélia, demais familiares e os inúmeros amigos que partilharam da dor e da angústia de uma mãe e de um pai que levaram sua filha ao túmulo, possamos, todos, unidos, em oração, pedir a Deus o conforto necessário; e a Nossa Senhora, aquela que tanto sofreu ao ver seu filho maltratado, humilhado e morto na cruz, o auxilio na superação deste momento tão difícil.

 

Maria na frente e Deus no comando. Sempre!

 

Carlos Magno