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23/12/2018

Celebramos o Natal do Senhor. E você sabe qual é o papel de Maria na redenção da humanidade?


Estamos celebrando o Natal do Senhor.

 

O dia 25 de dezembro é a data do nosso calendário escolhida para celebrar o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Verbo Encarnado, que veio ao mundo para se cumprir a promessa contida no Antigo Testamento e ser o Redentor da Humanidade, Aquele que, com a sua vida, tornou-se o “Cordeiro de Deus”, responsável por ‘limpar’ a humanidade de seus pecados.

 

O “Verbo” citado no Livro do Evangelista João (“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” – Joao 1, 1) é o mesmo que encarnou, segundo o próprio João (“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” – João 1, 14). Mas, para “encarnar”, o Verbo precisou do “Sim” de uma jovem, virgem, preparada especialmente para ser a Mãe do Redentor, ou seja, a Mãe do Verbo Encarnado, a “Mãe de Deus”: Maria Santíssima!



 

Claro que Deus Filho poderia vir ao mundo de uma forma diferente, como Ele bem o quisesse. Ele não necessitaria, se assim o quisesse, vir pelo ventre de uma mulher. Ele poderia vir, por exemplo, como veio o Anjo Gabriel anunciar a Boa Nova a Maria, aparecendo “do nada”. Mas Deus quis se tornar “carne” e habitar em nosso meio, dependendo do “Sim” de uma mulher.

 

Este fato nos remete a uma perguntinha básica: e se Maria tivesse dito “Não”?

 

E podemos refletir mais: Maria tinha motivos para dizer “Não” ao Anjo Gabriel?

 

Tinha sim. Vários motivos.

 

Analisando sob o aspecto humano, Maria tinha mais motivos para dizer “Não” do que “Sim”. Ela corria o risco de, sob a desconfiança do adultério, ser condenada – sem direito a defesa, como ocorria na época, e ainda hoje, em alguns casos – à morte por apedrejamento. E mais: Maria era muito jovem, tinha em torno de 15 anos, segundo os estudiosos, e provavelmente não tinha maturidade – humanamente falando, claro – suficiente para tomar uma decisão tão importante.

 

Mas, como falei, tudo isso se analisarmos sob o aspecto humano. Porém, com as coisas de Deus não podemos fazer a análise desta forma. E Maria também não analisou assim. Aliás, Maria, conta o Evangelista Lucas, estava tão decidida sobre o seu “Sim” que não duvidou em nenhum instante do que o Anjo estava a anunciar. Como fez Zacarias, por exemplo, duvidando da gravidez de Isabel, e por isso, ficou mudo até que o filho, o profeta João Batista, nascesse para se tornar aquele que prepararia os caminhos do Messias.

 

Maria não. Esta confiou desde o início. Teve apenas a curiosidade de perguntar ao Anjo Gabriel como iria ocorrer sua gravidez, pois, no seu dizer, não conhecia homem algum, já que era, apenas, prometida em casamento a José. E o próprio anjo se encarregou de tirar-lhe a dúvida.

 

Assim, de forma incisiva, com o “Sim” incondicional, Maria abriu as portas para que o “Verbo” se tornasse carne, habitasse entre nós e fosse, mais tarde, o Cordeiro de Deus, Aquele que tirou os pecados do mundo e nos livrou, de uma vez por todas, da condenação. Ou seja: Maria é “Co-Redentora” da humanidade, pois a redenção através do Deus Filho passou pela sua decisão.

 

A Maria, por ter acreditado, e por ter continuado humilde em sua confiança, lhe foi garantida a Bem-Aventurança. Algo tão bonito e maravilhoso, proclamado em sua visita a Isabel, no “Magnificat”, lindo canto de adoração a Deus, retratado no Evangelho de Lucas, capítulo 1, versículos de 46 a 55:

 

“Maria disse: ‘A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o temem. Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre’”.

 

Que neste Natal possamos entender os desígnios de Deus, não apenas na parte que acharmos interessante ou que quisermos entender, mas em sua plenitude; e compreender a Sua vinda a este mundo como doação por todos nós. Mas que também peçamos a Deus para agir como Maria: sendo “porta de entrada” do Cristo para muitos dos nossos irmãos, sem perda da humildade e adorando a Deus, Nosso Pai, agradecendo por olhar para uma humildade que devemos ter e reconhecendo Nele a razão da nossa existência.

 

Um Feliz Natal pra você e para toda a sua Família.

 

Carlos Magno – jornalista, Leigo Católico, membro da Pastoral do Batismo e Ministro Extraordinário da Eucaristia da Catedral de Campina Grande