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02/05/2020

Pré-colapso: Autoridades do Rio de Janeiro já estudam critérios para escolher quais doentes terão direito a UTI


No Rio de Janeiro, a Secretaria Estadual de Saúde e o Conselho Regional de Medicina estudam critérios para escolher quais doentes vão ter direito a uma vaga na UTI.

 

As imagens geram desconforto, dor e são a prova do caos. Mais um hospital do Rio está com o necrotério lotado. Os corpos ficam no subsolo do Hospital Municipal Salgado Filho, um dos mais importantes da Zona Norte da cidade, enquanto um contêiner frigorífico não é instalado.

 

Nesta sexta (1º) foi o dia que registrou o maior número de óbitos por Covid no estado. No total, são mais de 900 mortos. Quase três vezes mais do que há dez dias.



 

“Meu pai tinha 50 anos. Carteiro amante da profissão. Fazia trilha periodicamente, ia na academia diariamente, tinha alimentação saudável, não tinha doença pré-existente. Era um cara cheio de vida”, conta o filho de uma vítima.

 

E faz duas semanas que a falta de leitos também leva famílias ao desespero. Tem gente que é liberada do hospital logo depois da consulta, mesmo sem poder ter alta. São mais de 600 doentes precisam de vaga numa enfermaria. E os problemas não param aí.

 

Quase 400 pacientes internados em estado grave, suspeitos ou confirmados de coronavírus, esperam por um leito na UTI, por um respirador.

 

Na quinta-feira (30), o Jornal Nacional mostrou que essa realidade poderia ser amenizada com a abertura de cerca de 2,7 mil leitos ociosos em unidades das três esferas de governo.

 

Nesta sexta de manhã, uma comissão formada por parlamentares fez uma vistoria em três desses hospitais para checar a denúncia.

 

Se a curva de casos e mortes por coronavírus continuar descontrolada e a falta de recursos nos hospitais se evidenciar ainda mais, a previsão é que médicos precisem fazer uma escolha dolorosa: quem terá direito a um leito de UTI? Quem vive e quem morre.

 

A Secretaria Estadual de Saúde já estuda esse protocolo, com a ajuda do Conselho Regional de Medicina do Rio. Diante do impasse, os médicos teriam que analisar seis órgãos dos pacientes com Covid, como pulmão, rins, coração. E depois atribuir notas ao funcionamento deles. Doenças preexistentes também seriam pontuadas. Ganharia a vaga, quem tivesse menos pontos.

 

Um dos critérios de desempate seria a idade: quanto mais jovem, mais chances. Um protocolo parecido com esse está sendo adotado na Itália e na Espanha.

 

Nesta sexta (1º), o segundo hospital de campanha foi aberto no Rio. Fica no centro de convenções do Riocentro, na Zona Oeste, e é de responsabilidade da Prefeitura. No local, ainda faltam equipamentos e médicos. Por enquanto, a capacidade está abaixo do previsto. Apenas 100 dos 500 leitos foram liberados.

 

A prefeitura do Rio afirmou que contratou 126 médicos para trabalhar no hospital de campanha. E que não deu um prazo para o funcionamento completo porque depende da chegada dos profissionais e de equipamentos.

 

A direção do Hospital Salgado Filho declarou que os corpos que aparecem no vídeo da reportagem estão em um espaço refrigerado e que alugou um contêiner frigorífico para ser instalado – Jornal Nacional.

 

Carlos Magno

 

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