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31/07/2020

Parentes de vítimas da Covid-19 na Itália entram na Justiça contra o governo por demora em adotar medidas de proteção contra a pandemia


Dezenas de parentes de vítimas da Covid-19 na Itália entraram com ações questionando a demora do governo em adotar medidas de proteção contra a pandemia.

 

Um crime contra a humanidade: assim os parentes das vitimas de Bergamo e Brescia, na Lombardia, querem que seja julgada a demora para fechar as duas províncias, bem no inicio do surto de coronavírus.



 

O comitê “Vamos Denunciar” pediu à presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, e à Corte Europeia dos Direitos Humanos, que fiscalizem a investigação sobre a administração lombarda da crise sanitária. Já são 150 denúncias depositadas na Procuradoria de Bergamo.

 

Os casos mostram um retrato dramático das pessoas por trás dos números do vírus da Itália. De mães e pais levados de ambulância e nunca mais vistos por seus filhos, de esforços frenéticos para localizar leitos de terapia intensiva e tanques de oxigênio.

 

Sabina Grisis, do comitê "Vamos Denunciar", espera que aqueles que cometeram erros paguem por isso: "Meu pai não merecia terminar assim, sozinho, por 15 dias. A família não teve permissão para conversar com ele naqueles momentos trágicos. E ele confiava muito em nós".

 

A advogada Consuelo Locatti sustenta que foram mais de 11 mil mortos entre Bergamo e Brescia. Ela relata as possíveis violações da carta dos direitos fundamentais da União Europeia, o direito à vida de milhares de pessoas, o direito à integridade física e psicológica de idosos, juntamente com o direito à dignidade humana.

 

 

A Promotoria de Bergamo já ouviu o governador e o primeiro-ministro Giuseppe Conte. Em sua defesa, Conte afirmou que estava preparando o isolamento da região e de todo o país e que o governo local deveria ter tomado a decisão, como fizeram outras regiões.

 

Ainda não há acusados formais. Se ficar claro que houve pressão de industriais e comerciantes para que o governo da Lombardia não fechasse a região, o governador poderá ser processado por crime de epidemia culposa, com pena prevista de até 12 anos de prisão – JN.

 

Carlos Magno

 

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