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19/10/2020

Médico que contraiu Covid-19 trabalhando se recupera após 38 dias em hospital de João Pessoa


Um quadro severo de infecção pela Covid-19 fez com que Teófilo Andrade, médico há 40 anos, ficasse hospitalizado por 38 dias, em João Pessoa. Após contrair a doença cuidando dos pacientes, quem se dedicou para salvar a vida do próximo, também encarou o desafio de lutar pela própria sobrevivência.

 

Para o profissional de saúde, as batalhas diárias contra o novo coronavírus resultaram na vitória. A saída da UTI foi celebrada com aplausos pela equipe que cuidou de Teófilo e de tantos outros pacientes que passaram pelo hospital durante os quase sete meses de pandemia.



 

Na Paraíba, desde março, 13 médicos morreram por complicações ocasionadas pela Covid-19. Mais do que números, eles representam o triste legado de vidas perdidas para que outras fossem salvas.

 

Confraternizar, mesmo que distantes um dos outros, nunca foi tão importante para a família e os amigos de Teófilo. Eles o receberam na entrada do prédio em que mora com cartazes, músicas e emoção.

 

“Um colega meu, depois que eu saí da UTI e fui para o apartamento, ele me perguntou: o que lhe manteve vivo? Eu disse pela minha família, pelos médicos e o mais importante, pelas orações”, contou.

 

Os cuidados e o carinho das pessoas que o amam dão força para que novas lutas sejam vencidas. A doença deixou sequelas no corpo e na mente do médico.

 

“Eu não consigo andar só ainda. Eu ando, mas com um auxílio, né? Porque tem um fator psicológico. Eu já consigo dar os primeiros passos, mas tem que ter uma pessoa perto de mim. Depois que eu cheguei, eu sofri duas quedas grandes. A gente fica um pouco traumatizado”, desabafou.

 

De mãos dadas com o pai desde o início, Victor Andrade, filho de Teófilo que também é médico, lembra com pesar de todos os diagnósticos obtidos na internação e de como o pai ficou fragilizado.

 

“Ele perdeu 18 quilos. Nesse período, eu acho que eu vivi um dos momentos mais difíceis da minha profissão. Porque além de estar como médico lá, eu estava como filho. Deixei todos os meus compromissos, todos os meus trabalhos pra cuidar de quem cuidou de mim, de quem me deu a vida, né? Eu tinha esse compromisso de levá-lo para o hospital e trazê-lo pra casa”, justificou.

 

Viver em um hospital, respirar a dor da perda e presenciar histórias tendo um ponto final preocuparam Victor e Teófilo, mas não fizeram com que eles perdessem a fé.

 

“A gente tá com um milagre aqui do lado”, finalizou o filho – G1.

 

Carlos Magno

 

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