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04/12/2020

Ministro da Saúde afirma que propostas de vacinas não agradam: “Nas negociações, números são pífios”


Em audiência pública no Congresso Nacional nesta quarta-feira, 2, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, chamou de "pífias" as propostas apresentadas por desenvolvedoras de vacinas ao Brasil, mas sugeriu que pode comprar o modelo da Pfizer por meio do consórcio Covax Facility. A farmacêutica ainda negocia a entrada na iniciativa internacional liderada pela Organização Mundial da Saúde. O Brasil espera comprar imunizante para 10% da população pela Covax.

 

"O Brasil aderiu a esse consórcio desde o desenvolvimento das vacinas, já com opção de compra, (com) recebimento de 42 milhões de doses, que poderá ser de uma das dez fabricantes (que participam do Covax). Inclusive a própria AstraZeneca ou a Pfizer, por exemplo, estão no consórcio", disse o ministro.



 

"Ficou muito óbvio que são muito poucas as fabricantes que têm a quantidade e cronograma de entrega efetivo para nosso país. Quando a gente chega no fim das negociações e vai para cronograma de entrega, fabricação, os números são pífios. (Considerando) números em grande quantidade, se reduz a uma, duas, três ideias", disse Pazuello.

 

Sem citar uma farmacêutica, o ministro também disse que há "campanha publicitária muito forte" para venda de vacina, mas que as propostas não têm agradado. "Na hora que vai efetivar a compra, vai escolher, não tem bem aquilo que tu quer, o preço não é bem aquele, e a qualidade não é aquela", disse.

 

Pazuello afirmou que o Brasil pode ter 300 milhões de doses em 2021, sendo cerca de 100 milhões entregues pela AstraZeneca até o fim do primeiro semestre, além de outras 160 milhões de unidades, do mesmo modelo, que serão fabricadas pela Fiocruz. Além disso, outras 40 milhões seriam compradas da Covax Facility.

 

O Reino Unido foi o primeiro país a autorizar, nesta quarta-feira, 2, o uso da vacina da Pfizer, desenvolvida em parceria com a BioNTech. A expectativa é que, nas próximas semanas, 800 mil doses estarão disponíveis para a população.

 

A expectativa da Saúde é de que as vacinas para a covid-19 sejam aplicadas em duas doses. Na fala ao Congresso, o ministério Pazuello ignorou que o governo de São Paulo, comandado por João Doria (PSDB), tem parceria para compra e produção da Coronavac, vacina que está sendo desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac e o Instituto Butantã.

 

Por divergências com Doria, Bolsonaro mandou o ministério recuar, em outubro, da promessa de compra deste imunizante. Segundo apurou o Estadão, Pazuello quer evitar novo "fato político" sobre a Coronavac e, por isso, está postergando discussões sobre a aquisição desta vacina.

 

Durante a audiência, secretários de Pazuello negaram que a Saúde tenha excluído a possibilidade de compra de alguma vacina. O secretário-executivo, Elcio Franco, disse que os imunizantes mais promissores são aqueles que estão na etapa final de pesquisa, a "fase 3". Ele também afirmou que a logística de entrega só será traçada após definição de qual vacina será comprada.

 

Secretário de Ciência e Tecnologia da Saúde, Hélio Angotti Neto, disse que, mesmo no Reino Unido, o plano nacional de vacinação ainda não está definido. "Ainda vai passar pelo PNI (Programa Nacional de Imunizações) deles e não é obrigatória. Estamos acompanhando essa vacina e várias outras. Não há nenhuma exclusão. Todas as vacinas são avaliadas e acompanhadas há meses", disse o secretário.

 

Vacinação no Brasil

 

Idosos com 75 anos ou mais, profissionais de saúde e indígenas serão os primeiros a ser vacinados contra a covid-19 no País, segundo cronograma apresentado na terça-feira, 1º, pelo Ministério da Saúde, em reunião com um comitê de especialistas. No encontro, a pasta informou ainda que a perspectiva é começar a vacinação contra a doença em março de 2021 e finalizar a campanha somente em dezembro, quando há previsão de oferta de doses suficientes para imunizar a população-alvo. Não há previsão de vacinar toda a população no ano que vem, de acordo com a apresentação feita pelo ministério – estadão.

 

Carlos Magno

 

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