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12/01/2021

Brasil supera Estados Unidos e Reino Unido e já é o primeiro na média diária de mortes por Covid-19 no mundo


Enquanto governadores de quase todo o Brasil flexibilizam as regras de isolamento social, o país registrou nos últimos sete dias a maior média de óbitos provocados pelo novo coronavírus em todo o mundo. Com isso, deixa para trás Estados Unidos e Reino Unido, países que tiveram o maior número absolutos de mortes até agora.

 

Na última semana o Brasil contabilizou 7.197 mortes pela covid-19, média de 1.028 por dia, segundo números da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os EUA, que encabeçam a lista de óbitos pela pandemia, registrou no mesmo período 5.762 mortes, média de 823 por dia. O Reino Unido, que ocupa o segundo lugar na lista de óbitos, contabilizou nos últimos sete dias 1.552 mortes, média de 221 por dia.



 

O Brasil também bate países onde a curva da doença é ascendente, como o México, que registrou 3.886 mortes por covid-19 e na última semana, média de 555 por dia. Para especialistas ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, o elevado número de mortes é resultado da falta de coordenação nacional das políticas de combate à pandemia e a tendência é de que o quadro piore com as flexibilizações anunciadas pelos governadores e defendidas pelo presidente Jair Bolsonaro.

 

"Na verdade, esse resultado é fruto do mau manejo da pandemia no país. O Brasil começou bem com o ministro [Luiz Henrique] Mandetta (demitido por Bolsonaro em abril), mas agora está cometendo um erro terrível relaxando as medidas de distanciamento exatamente no momento em que está se aproximando do pico da curva", disse o epidemiologista Pedro Hallal, reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

 

Segundo ele, levantamentos mostram que na última semana o Brasil assumiu a primeira posição global não só em números absolutos como também na média relativa à taxa de óbitos de acordo com a população.

 

Para o professor de Geografia da Saúde da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Raul Guimarães, o Brasil vai na contramão do mundo ao flexibilizar as medidas de isolamento enquanto a doença ainda cresce em várias regiões do país.

 

"O Brasil entrou em um círculo vicioso. Parece que estamos pisando em areia movediça", diz Guimarães. Para ele, o resultado deve ser o alongamento da crise no país, acompanhado de aumento do número de vítimas.

 

"Pelos cálculos que a gente fez em maio, com os índices de isolamento ainda altos, o estado de São Paulo chegaria ao teto no final de junho e começaria a cair em agosto, mas o que estamos vendo agora é que vai se estender mais. Ainda não fizemos um novo cálculo, mas a crise deve ir até outubro ou novembro", disse Guimarães, que classificou a quarentena realizada no país como "meia boca".

 

De acordo com Guimarães, o ritmo atual de propagação da doença aliado ao relaxamento das medidas de distanciamento em várias cidades pode levar o número de mortos a duplicar até o fim de julho. "Isso é exponencial. E o pior é que, além de a quarentena ter sido mal feita, a retomada também é mal feita, sem monitoramento. A crise vai se arrastar por meses", disse ele – Agência Estado.

 

Carlos Magno

 

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