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31/07/2021

Jovem denuncia que prefeito preso suspeito de crimes sexuais abusou dele enquanto assistiam TV: “Fiquei sem reação”


Um jovem de 32 anos denunciou que, quando tinha 11 anos, o prefeito de São Simão, Francisco Assis Peixoto (PSDB), fez carícias íntimas no corpo dele enquanto assistiam televisão na casa do político. A relação dos dois era tão próxima que o garoto o chamava de “Tio Assis”.

 

“De 11 para 12 anos, ele me levou para o sofá, me colocou perante a televisão ao lado dele, começou a me acariciar, e fiquei sem reação. Ele pegou minha mão e levou até o órgão sexual dele", relatou o jovem, que não quis de identificar.



Foto: Reprodução/Instagram 


O prefeito foi preso na quarta-feira (28) suspeito de envolvimento em crime contra a dignidade sexual de menor, em Goiânia. “A prisão dele nesse momento é totalmente desnecessária. A defesa terá acesso total aos fundamentos da representação processual para que, assim, possa protocolar um pedido de habeas corpus", disse o advogado do prefeito, Dimas Lemes Carneiro Junior.

 

O rapaz diz que, à época, foi até a casa do prefeito pegar uma roupa emprestada. “Pediu para que eu não contasse para ninguém, que aquilo era o nosso segredo. A minha única vontade, naquele momento, era de sair daquele local", desabafou.

 

Com o depoimento dele, sobe para sete o número de pessoas que dizem ter sido abusadas sexualmente pelo prefeito até a quinta-feira (29).

 

Asis Peixoto foi interrogado pelo promotor de Justiça que investiga o caso, Fabrício Lamas, mas ele ficou calado durante todo o depoimento. Depois, foi levado de volta para o Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.

 

Outras vítimas

 

Um funcionário público da prefeitura de São Simão também decidiu denunciar. O jornalista Luis Manoel Araújo contou que sofreu abusos durante sete anos e que carrega traumas até hoje.

 

“Trouxe danos. Porque quando você presencia ou vivencia um tipo de abuso, seu psicológico fica abalado", lamentou Araújo.

 

O jornalista faz tratamento psicológico e toma cinco remédios por dia. Ele diz que os abusos começaram em um clube de São Simão, quando tinha apenas 9 anos. "Segurou a minha mão por debaixo da água e levou até a sunga dele. Pude notar que ele estava excitado sexualmente", detalhou.

 

Adolescente grava prefeito em videochamada

 

A mãe de um adolescente de 15 anos contou que o prefeito fez várias videochamadas com o filho e, em uma delas, mostrou as partes íntimas.

 

“Ele fez outra videochamada, aí mostrando as partes íntimas dele. Teve outra videochamada, só que meu filho foi tão inteligente que ele gravou a chamada. Falei: ‘Meu filho, isso é caso de polícia, não está certo’”, contou a mãe.

 

Em um print da chamada é possível ver o rosto do prefeito. Após fazer a gravação, a mulher procurou o Conselho Municipal de Segurança Pública para pedir ajuda.

 

Influência política

 

Assis Peixoto está no terceiro mandato como prefeito. A presidente do Conselho Municipal de Segurança, Vanessa Lima Araújo, disse que chegou a denunciar o prefeito há 15 anos, mas a investigação não resultou em nada.

 

Ela acredita que a influência política dele calou a vítimas por muito tempo. “Isso deixava a vítima acuada, com medo”, explica.

 

Na quarta-feira (28), a promotoria de Justiça e a Polícia civil cumpriram três mandados de busca e apreensão na prefeitura e em um hotel de parentes do prefeito. O promotor Fabrício Lamas, porém, não falou quais objetos foram apreendidos.

 

O presidente da Câmara Municipal da cidade, Lucas Barbosa Vasconcelos, enviou um ofício à promotoria pedindo mais detalhes sobre a denúncia para que as informações sejam analisadas para futuras providências.

 

Veja os crimes em que Assis Peixoto é investigado:

 

Artigo 241A do Estatuto da Criança e do Adolescente: Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer meio, inclusive por meio de sistema de informática ou telemático, fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente. A pena é de prisão de quatro a oito anos, e multa;

Artigo 215A da Lei 2.848: Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro, com pena de reclusão de um a cinco anos de prisão – G1.

 

Carlos Magno

 

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