
Foto: Rebeka Paiva/Secom-JP
Neste domingo (18) é celebrado o Dia do Orgulho Autista.
Além de uma data para quebrar preconceitos, ela reforça a importância do
diagnóstico precoce. Se descoberto ainda na infância, o tratamento ajuda a
criança a atingir elevados níveis de desenvolvimento e a interagir melhor com
os outros, segundo especialistas.
A suspeita inicial do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é
feita normalmente ainda nos primeiros meses de vida, durante as consultas para
o acompanhamento do desenvolvimento infantil. Por ser essencialmente clínica, a
identificação é realizada a partir das observações da criança, entrevistas com
os pais e aplicação de métodos de monitoramento do desenvolvimento infantil.
O TEA não tem cura, mas o diagnóstico precoce permite o
desenvolvimento de práticas para estimular a independência e a promoção de
qualidade de vida e acessibilidade para essas crianças. Em entrevista ao g1, a
psicóloga Roberta Castelo Branco explica os sinais precoces do autismo podem
incluir:
- Dificuldades na interação social: atrasos ou dificuldades
na comunicação verbal e não verbal, como atraso na fala, falta de balbucio,
dificuldade em iniciar ou manter uma conversa, uso repetitivo da linguagem e
falta de contato visual;
- Comportamentos repetitivos ou restritos: movimentos
repetitivos do corpo (por exemplo, balançar as mãos), fixação em objetos ou
padrões específicos, resistência a mudanças na rotina ou ambiente;
- Hipersensibilidade sensorial ou insensibilidade a
estímulos sensoriais: sensibilidade extrema a luzes, sons ou texturas, ou
insensibilidade a dor ou temperaturas.
"É importante lembrar que esses são apenas alguns dos
sinais possíveis. O diagnóstico deve ser feito por um profissional
especializado, como um psicólogo ou médico especialista em desenvolvimento
infantil, com base em uma avaliação abrangente do desenvolvimento e do
comportamento da criança'', diz a psicóloga.
Leia a entrevista
g1: Qual a
importância do diagnóstico precoce de autismo?
Roberta Castelo
Branco: A intervenção precoce desempenha um papel importantíssimo. Quanto
mais cedo o diagnóstico for feito e a intervenção adequada for iniciada,
maiores são as chances de melhorias significativas nas áreas afetadas pelo
autismo.
g1: O que os pais
devem fazer quando observam que o filho manifesta os sinais de autismo?
Roberta Castelo
Branco: É importante tomar algumas medidas para buscar avaliação e suporte
adequados. Se houver suspeita de Autismo, não demore em buscar uma avaliação
especializada, procure profissionais especializados em TEA para uma avaliação
mais aprofundada e eficaz. Agende uma consulta com um médico neuropediatra ou
um psicólogo especializado em autismo.
Caso o diagnóstico de autismo seja confirmado, é importante
buscar serviços de intervenção precoce. Isso pode incluir terapia
comportamental, terapia da fala, terapia ocupacional e outras abordagens
terapêuticas que possam ajudar a criança a desenvolver habilidades sociais, de
comunicação e comportamentais.
g1: Como os pais
podem lidar com o diagnóstico positivo?
Roberta Castelo
Branco: Buscar apoio emocional e também de um profissional de saúde mental.
Descobrir que seu filho tem autismo pode ser um momento desafiador para os
pais. Buscar apoio emocional é fundamental para lidar com as emoções, obter
informações adicionais e se conectar com outras famílias que estão passando
pela mesma situação.
Existem grupos de apoio e organizações que podem fornecer
suporte e orientação. Compartilhar experiências, ouvir histórias de outras
famílias e trocar informações ajudará a se sentirem pertencentes e resinificar
esse momento. Inclusão da criança também é fundamental.
Eduque-se sobre o autismo e busque informações confiáveis e
validadas cientificamente sobre o transtorno do espectro autista. Receber um
diagnóstico de autismo pode desencadear sentimentos de luto ou perda de
expectativas em relação ao desenvolvimento da criança. É importante permitir-se
passar por esse processo, reconhecendo e expressando as emoções.
g1: Uma criança que
recebe o diagnóstico precoce de autismo será um adulto sem dificuldades de socializar?
Roberta Castelo
Branco: É importante considerar que com o suporte adequado, as pessoas com
autismo podem desenvolver habilidades sociais, emocionais e acadêmicas e ter
uma vida significativa.
O objetivo não deve ser alcançar uma vida "normal"
conforme os padrões convencionais, mas sim promover uma vida autêntica e
inclusiva, valorizando as habilidades e talentos individuais de cada pessoa com
autismo.
"É hora de abraçar a diversidade, celebrar as
diferenças e criar uma sociedade onde todas as vozes sejam ouvidas, e todas as
vidas importem. Juntos, podemos construir um mundo mais inclusivo e acolhedor
para todos", diz a psicóloga – g1.
Carlos Magno
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