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29/03/2019

Na Tribuna, Veneziano defende a democracia e critica determinação do presidente para que quartéis comemorem o Golpe de 64


Em pronunciamento no Plenário do Senado esta semana, o Senador Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB) criticou a determinação do presidente da República Jair Bolsonaro (PSL) para que os quarteis comemorem, neste dia 31 de março, o Golpe de 1964, que deu início à Ditadura Militar.

 

Veneziano lamentou a postura do chefe da nação, que responde pelo mais alto cargo da República, considerando que a Ditadura Militar é um dos mais dolorosos períodos da vida do Brasil. “Não é um pronunciamento somente, mas a reação de quem, mesmo não tendo vivido na pele aquele período, pois sou nascido em 1970, mas acompanhei de perto, porque no meu lar, e próximo a mim, e com base em outros tantos depoimentos desses últimos anos, eu pude absorver”, ressaltou.



 

Ele enfatizou que não existe motivo para o País referendar ditaduras, sejam estas de correntes de esquerda ou de direita. Como democrata, Veneziano enfatizou que qualquer ditatura, seja quais sejam os propósitos ditatoriais, deve merecer de todos os brasileiros a repulsa, a atenção e a vigilância.

 

“Não tem cabimento que haja, das palavras expostas e trazidas por parte do presidente da República, o incitamento, para que mais uma vez o país volte a estar discutindo sobre algo que foi doloroso. Festejar mortes, jamais. Festejar censuras, absurdamente não podemos aceitar”, lamentou.

 

Veneziano lembrou que a Ditatura Militar foi um período vergonhoso, que se arrastou por mais de duas décadas, sob a justificativa de que o regime foi decretado por força de um iminente perigo de que o Brasil fosse tomado por conta do regime comunista. Ele lembrou o pai, advogado Vital do Rêgo, que, cassado pelo Regime Militar, ficou impedido até mesmo de exercer a advocacia, devido aos algozes do regime.

 

Defesa da Democracia – Ao expressar veementemente a sua repulsa ao regime que se iniciou em 64 e se estendeu por mais de duas décadas, Veneziano afirmou que o Congresso Nacional, que também sofreu com a Ditadura Militar, precisa trazer de volta ao País uma relação aonde não estejam permitidos “o engalfinhamento entre aqueles que supostamente representam o mal e a relação entre aqueles que representam o bem”.

 

Ele defendeu que o Congresso reestabeleça uma relação do bom debate e da boa disputa de ideias, o que prevalece em qualquer democracia; e se declarou contra qualquer tentativa de incitação do sentimento de revanchismo. “Se em algum momento os brasileiros silenciaram, foi por conta da presença e da imposição do regime autoritário”.

 

“Ao invés de comemorarmos o 31, se não tê-lo como uma história que não pode ser reeditada, que não pode ser reiterada, nós precisamos é levar às nossas escolas, a todos e quaisquer ambientes da sociedade civil, o que é importante. Fazer valer o respeito às autoridades militares sim, mas dentro do que compete às forças”, arrematou Veneziano – Assessoria.

 

Carlos Magno

 

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