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16/04/2019

Mãe de jovem que matou irmão de 5 anos em suposto ritual de magia negra desabafa: “Deu vontade de partir pra cima dela e mata-la”


A mãe do menino Maycon da Silva Roque, de 5 anos, que foi morto pela irmã de 18 anos, quebrou o silêncio e falou pela primeira vez sobre o crime que chocou São Roque (SP), cidade com cerca de 90 mil pessoas, no interior de SP, na noite de 4 de abril.

 

Daniela Cordeiro da Silva ainda não havia comentado sobre o crime envolvendo seus dois filhos até dar uma entrevista a uma rádio da cidade, na segunda-feira (15).

 

Maycon foi encontrado morto e mutilado na casa da família e cercado por velas, no Jardim Gabriel Pizza. A polícia investiga se o crime tem relação com algum tipo de ritual.



 

"É difícil olhar para a cara dela. Estou sem coragem e não quero vê-la tão cedo. Quando questionei porquê ela tinha feito isso, ela disse que 'ele não iria mais sofrer nesse mundo'", disse em entrevista concedida à Rádio Coluna FM.

 

Karina, que confessou o crime à polícia, disse que asfixiou Maycon com um travesseiro. Depois, furou os olhos, fez cortes e queimou partes do corpo do garoto, decepou o pênis e disse aos policiais que ingeriu o órgão.

 

Daniela, uma manicure de 39 anos, afirmou que está passando por tratamento psicológico e contou ter ficado transtornada ao ver a cena do crime.

 

"Deu vontade de partir para cima dela. Minha vontade foi de matá-la, mas acho que foi por Deus...", lamenta a mãe.

 

Entre choros, Daniela lembrou que já teve muitas brigas com a filha, que vai completar 19 anos em junho. A mãe confirmou a versão de amigos e vizinhos de que a jovem não saía muito de casa. "Apesar disso, eu achava que estava tudo normal..."

 

Carinho de irmão

 

Questionada sobre a relação de Karina e Maycon, Daniela disse que, apesar de desentendimentos corriqueiros de irmãos, os dois trocavam carinhos e se davam bem.

 

"Ela amava o irmão e falava em proteger caso eu faltasse um dia. Ela dizia que iria cuidar dele como filho, tinha respeito, era um relacionamento de amor", lembra.

 

Daniela deve ser ouvida pela Polícia Civil nos próximos dias. Os investigadores ainda aguardam resultados de exames toxicológicos, do Instituto Médico Legal (IML) e da perícia do celular para seguir com o inquérito. A polícia também investiga se Karina foi influenciada por outras pessoas.

 

Morando temporariamente na casa de uma amiga, a mãe diz que a filha estava "esquisita" nos últimos dias e afirmou que ouviu Karina quebrando o celular.

 

"Além de queimar [o aparelho], ela deu um monte de marteladas nele. Estava macetando [destruindo] mesmo", contou durante a entrevista.

 

Vizinhos e parentes afirmam que ninguém mais voltou à casa da família desde o ocorrido. "Não tem como ficar lá", disseram os moradores.

 

Uma mulher que diz morar ao lado da casa da família fez um comentário sobre o assunto em sua conta no Facebook. "Triste ouvir os gritos de desespero da mãe", contou.

 

As velas que estavam em volta do corpo do menino eram usadas para o caso de acabar a força, diz Daniela. "Ela queimou o cabelo dela, o cabelo do meu filho."

 

A mãe finalizou a entrevista à rádio lamentando o crime e agradecendo as mensagens de solidariedade. O corpo de Maycon foi velado e enterrado um dia após o crime, em 5 de abril, no Cemitério da Paz em São Roque.

 

'Ela gostava muito dele'

 

Uma amiga de Karina, que preferiu não revelar a identidade, lembra que a jovem cuidava muito bem do irmão, como disse a mãe à rádio. "Ela gostava muito dele, comprava presentinhos e tudo", disse ao G1.

 

"Ela não saía muito de casa, mas sei que ela comprou um incenso para proteger o irmão”, afirma a jovem.

 

A amiga disse que esteve na casa de Karina no dia do crime, mas, apesar de não ter percebido nenhum comportamento estranho, afirmou que "ela não estava conseguindo dormir nem comer direito".

 

Ao G1, a jovem confirmou o relato de vizinhos sobre o comportamento de Karina e disse que ela saía pouco de casa. A menina, que também mora em São Roque, afirma ser amiga de Karina há sete anos, pois estudaram juntas.

 

Uma das linhas de investigação da Polícia Civil é de que o garoto tenha sido morto em algum tipo de ritual. "Eu acho que alguma coisa tomou conta do corpo dela", comenta.

 

Transferência para Tremembé

 

Karina foi transferida da Penitenciária Feminina de Votorantim para a Penitenciária Feminina "Santa Maria Eufrásia Pelletier" de Tremembé (SP) no dia 11 de abril.

 

Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), a jovem continua em uma cela isolada de outras presas e tem direito a duas horas de banho de sol por dia em horários alternativos.

 

Caso

 

O caso foi descoberto quando a mãe dos irmãos chegou em casa e foi impedida de entrar. A mulher chamou um cunhado, que arrombou a porta, encontrando o menino morto com sinais de tortura na casa e cercado por velas.

 

A suspeita foi contida pelo tio, que acabou atingido por uma pedrada. A polícia foi chamada e a jovem foi detida.

 

Ela vai responder por homicídio qualificado consumado pela morte do irmão, tentativa de homicídio do tio e maus-tratos, porque chegou a morder o cão da família, que avançou nela enquanto era rendida pelo parente – G1.

 

Carlos Magno

 

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